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Reflexões Bíblicas sobre o Sustento de Obreiros

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As reflexões que seguem visam ajudar as igrejas em geral e suas lideranças em particular a terem suas próprias políticas de sustento pastoral conforme os princípios bíblicos e dentro da sua própria realidade ministerial. Não constituem a palavra final sobre o assunto, mas levantam várias questões que precisam ser cuidadosamente consideradas.

Fui criado numa igreja que não acreditava no sustento de presbíteros ou pastores. Três presbíteros dividiam a responsabilidade pela pregação e pelo cuidado do rebanho. Infelizmente, em todos os anos naquela igreja, nenhum deles fez sequer uma visita em nossa casa (caso sim, talvez poderiam ter poupado a nossa família de muitos anos de sofrimento). A igreja nunca passou de 50 membros. A pregação muitas vezes era rasa e voltada para a evangelização dos crentes. No fim, houve uma disputa de poder entre os três e acabamos saindo daquela igreja para outra.

Depois da primeira semana na nova igreja, o pastor de adolescentes – um de três pastores de tempo integral – já fez uma visita na nossa casa. A igreja tinha mais de 500 membros e não parava de crescer. A pregação era profunda e impactante. Minha vida foi transformada para sempre.

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Argumentar que o que fez a diferença entre as duas igrejas foi o sustento digno dos obreiros seria um contrassenso. Eu poderia apontar para igrejas ao redor do mundo onde o pastor recebe um salário alto e, mesmo assim, não conhece as ovelhas e prega mal. E conheço várias igrejas como aquela à qual eu fazia parte, que cuidam bem dos seus membros e pregam fielmente a Palavra. Mas, o ensino bíblico claramente estabelece o princípio de sustento pastoral digno, equilibrado e honroso, visando a saúde espiritual da igreja e o cuidado dos seus líderes.

Ao olharmos para as Escrituras, encontramos muita flexibilidade e variedade na maneira como o povo de Deus apoia e sustenta seus obreiros. Ao que tudo indica, Jesus e seus discípulos foram sustentados por um grupo de mulheres piedosas e generosas durante três anos (Lc 8.1-3). Paulo revela que Pedro e os outros apóstolos usufruíram do direito de serem sustentados, mas que ele decidiu não receber sustento das igrejas que plantava para não criar nenhum obstáculo para o Evangelho (1 Co 9.3-18). Ele, com Áquila e Priscila, eram os primeiros ministros bi vocacionais, fazendo tendas para seu sustento pessoal, mas somente até o ponto em que poderiam se dedicar exclusivamente à pregação do Evangelho (At 18.2-5). Também sabemos que houve uma distinção entre presbíteros “leigos” e aqueles pastores-mestres que se dedicaram de tempo integral à obra do Senhor, e recebiam “honorário dobrado” por causa disso (1 Tm 5.17,18). A igreja de Cristo sempre contou com o trabalho voluntário para se manter.

Diante dessa flexibilidade e variedade enorme que encontramos no Novo Testamento, descobrimos alguns textos básicos que norteiam a igreja local no sustento (ou não) dos seus obreiros e dos seus missionários. A seguir, vamos examinar o ensino bíblico sobre o sustento de obreiros de forma indutiva, texto por texto.[1]

Existe uma certa lógica na ordem dos textos a serem examinados, partindo dos mais claros e diretos, inclusive os textos que advertem pastores contra o perigo da avareza. Ao longo do caminho, vamos apontar possíveis aplicações dos princípios bíblicos e terminar com perguntas e respostas, assim como sugestões para igrejas locais.

1. 1 Pedro 5.1, 2

Rogo, pois, aos presbíteros que há entre vós, eu, presbítero como eles, e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e ainda coparticipante da glória que há de ser revelada (1): Pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade… (2)

Pedro fala diretamente para seus co-presbíteros, advertindo-os contra uma avareza no ministério. “Constrangimento” traduz uma palavra que só aparece uma vez no Novo Testamento e que traz a ideia de “forçosamente”, “por obrigação” ou “por necessidade”. Não se trata da necessidade urgente que Paulo sentia para pregar o Evangelho (1 Co 9.16,17) mas, neste contexto, de ministrar visando lucro. A palavra “espontaneamente” significa “livremente”, “de boa vontade”, ou seja, sem motivos ocultos. Novamente, o contexto define isso como sendo a “sórdida ganância”. Esse termo traz a ideia de “avareza vergonhosa”. Uma outra forma da mesma palavra descreve uma das qualificações de diáconos em 1 Timóteo 3.8 que não são cobiçosos de sórdida ganância. Encontramos um paralelo nas qualificações dos presbíteros, alguns versículos antes, que não podem ser avarentos, ou seja “amantes do dinheiro” (1 Tm 3.3).

Infelizmente, vivemos em dias em que o ministério se transformou em um bom negócio. Mas a história revela que os “mercadejantes” da Palavra sempre existiam (2 Co 4.2). Paulo advertiu Timóteo contra os falsos mestres que imaginavam que “piedade” era sinônimo de “fonte de lucro” (1 Tm 5.5). O verdadeiro ministro sabe que “grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento… Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes… Os que querem ficar ricos caem em tentação e ciladas…” (1 Tm 5.6, 8, 9).

Quando Pedro escreveu para exortar seus colegas pastores de pastorear o rebanho sem avareza, provavelmente tinha em mente dois textos clássicos do Velho Testamento que advertiam os líderes espirituais em Israel contra esse mesmo tipo de atitude:

Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel; profetiza e dize-lhes: Assim diz o SENHOR Deus: Ai dos pastores de Israel, que se apascentam a si mesmos! Não apascentarão os pastores as ovelhas? Comeis a gordura, vestis-vos da lã e degolais o cevado; mas não apascentais as ovelhas. A fraca não fortalecestes, a doente não curastes, a quebrada não ligastes, a desgarrada não tornastes a trazer e a perdida não buscastes; mas dominais sobre elas com rigor e dureza. Assim, se espalharam, por não haver pastor, e se tornaram pasto para todas as feras do campo…Portanto, ó pastores, ouvi a palavra do SENHOR: Tão certo como eu vivo, diz o SENHOR Deus, visto que… os meus pastores não procuram as minhas ovelhas, pois se apascentam a si mesmos e não apascentam as minhas ovelhas… Eis que eu estou contra os pastores e deles demandarei as minhas ovelhas; porei termo no seu pastoreio, e não se apascentarão mais a si mesmos. (Ez 34.1-10)

Assim diz o SENHOR, meu Deus: Apascenta as ovelhas destinadas para a matança. Aqueles que as compram matam-nas e não são punidos; os que as vendem dizem: Louvado seja o SENHOR, poque me tornei rico; e os seus pastores não se compadecem delas. (Zc 11.4,5)

A questão de sustento pastoral precisa levar em consideração esses e outros textos que advertem contra pastores avarentos – uma característica gritante dos falsos pastores no primeiro século e hoje. Isso não significa que o pastor digno nunca se preocupa com questões financeiras, o cuidado da sua família e o cumprimento fiel dos seus compromissos financeiros; pelo contrário! Se ele não cuidar dos seus, é pior que um incrédulo (1 Tm 5.8). Mas a igreja deve ficar atenta se seu pastor der evidências de estar servindo por causa do dinheiro e não pela paixão por Jesus e Seu Reino. Cuidado do pastor que cobra pelo seu ministério, que continuamente pede favores, que reclama do seu sustento, que põe mão no arado ministerial mas sempre olha para trás e ao redor, comparando-se com outros (que têm mais) e vive resmungando das dificuldades financeiras e do sofrimento dele e da sua família.

O sustento pastoral não deve ser tão luxuoso que pessoas que não têm um chamado legítimo vão considerar a vocação pastoral pelo lucro que dá. O pastor foge da avareza, um perigo sempre presente.

Nada disso justifica a atitude de algumas igrejas que pensam “Vamos manter o pastor pobre para mantê-lo humilde!” Mas serve como alerta tanto para o suposto vocacionado como para a igreja – a avareza e o desejo por uma vida de luxo não têm lugar no ministério verdadeiro.

2. Gálatas 6.6-8

O que está sendo instruído na palavra deve repartir todas as boas coisas com aquele que o instrui. Não vos enganeis: Deus não se deixa zombar. Portanto, tudo o que o homem semear, isso também colherá. Pois quem semeia para a sua carne, da carne colherá ruína; mas quem semeia para o Espírito, do Espírito colherá a vida eterna.

No contexto maior (Gl 6.1-5), Paulo fala sobre como devemos abençoar nossos irmãos que estão suportando pesos difíceis demais para carregar.

A partir do v. 6, Paulo faz uma transição para falar de outro “fardo”, só que agora é dos mestres da igreja. Ele deixa claro que a maneira pela qual compartilhamos “boas coisas” com aqueles que nos ensinam a Palavra diz tudo sobre o valor que damos à Palavra. Também revela nossas reais prioridades e determina nosso galardão. Temos a responsabilidade de ajudar os nossos líderes (pastores-mestres) a carregarem a responsabilidade de nos ensinar a Palavra de Deus, compartilhando com eles conforme Deus tem nos abençoado.

O foco está no investimento feito pela igreja naqueles que investem suas vidas no ensino da Palavra de Deus. Encontramos aqui uma questão relativa de valores: Investimos naquilo que valorizamos.

A palavra traduzida “instruir” é a mesma que nos dá a palavra “catequese”, que é definida como “explicação oral, metódica, dos mistérios da fé.” “Aquele que é catequisado deve repartir todas as coisas boas com aquele que catequisa”.

A palavra “repartir” é a forma verbal da palavra “koinonia”, que trata de um compartilhar de vida ou “comunhão”. A ideia é que devemos abençoar nossos mestres, compartilhando com eles os bens materiais assim como eles nos abençoam com a riqueza da Palavra de Deus.

Naquela cultura, contribuir para que os pastores-mestres pudessem se dedicar ainda mais ao seu trabalho significava ofertar não somente financeiramente, mas através de “todas as boas coisas”. Ainda em muitos lugares do mundo, o sustento do pastor local é através de ofertas de ovos, galinhas, um bolo, frutos do campo, roupas costuradas e mais. Em nossa cultura podemos incluir presentes e lembrancinhas também, mas certamente implica em dar um sustento digno para um trabalhador que se dedica ao ensino da Palavra.

Note o destaque que Paulo dá sobre o repartir de todas as “boas” coisas. Os obreiros do Senhor não deveriam receber sobras. Deus aborrece a mentalidade de mediocridade no sustento ministerial. O apóstolo João elogia a generosidade no sustento missionário em sua terceira epístola, Amado, procedes fielmente naquilo que praticas para com os irmãos [missionários]… Bem farás, encaminhando-os em sua jornada por modo digno de Deus, pois por causa do Nome foi que saíram (3 Jo 5-7).

Podemos resumir dizendo que o investimento que a igreja faz no sustento dos seus líderes espirituais, especialmente seus pastores-mestres, aliviando-os de pesos e preocupações da vida para poderem dedicar-se integralmente à obra do Senhor, diz tudo sobre os reais valores daquela igreja. Uma igreja mesquinha no sustento dos obreiros, especialmente quando tem condições de sustentá-los de forma digna, colhe o que plantou. É o que os próximos versículos dizem:

Não vos enganeis: Deus não se deixa zombar. Portanto, tudo o que o homem semear, isso também colherá. Pois quem semeia para a sua carne, da carne colherá ruína; mas quem semeia para o Espírito, do Espírito colherá a vida eterna.

O princípio de “semear e colher” é bem conhecido em contextos agrícolas. Tem validade em muitas esferas da vida, mas especialmente na vida espiritual. Infelizmente, muitas vezes esses versículos são tirados fora do seu contexto; sua aplicação principal diz respeito o sustento de obreiros. A igreja que não valoriza a Palavra, que não valoriza seus mestres, que semeia muito para seu próprio prazer, lazer e conforto, mas pouco investe no Reino, colherá frutos podres. Mas a igreja que investe no ensino da Palavra, especialmente no sustento digno dos seus obreiros, investe na eternidade e colhe frutos eternos.

Versículos 7 diz “de Deus não se zomba”. O foco não está em pessoas que ridicularizam a Deus, usam seu nome em vão, ou que são profanas ou obscenas. Trata-se de pessoas que DIZEM valorizar a Palavra de Deus, mas não MOSTRAM isso de forma prática através do compartilhar dos seus bens materiais. Como Jesus disse, onde está o nosso tesouro, aí estará o nosso coração (Mt 6.19-21).

3. 1 Timóteo 5.17,18:

Os presbíteros que governam bem devem ser dignos de honra em dobro, principalmente os que trabalham na pregação e no ensino. Pois a Escritura diz: ‘Não amarres a boca do boi quando ele estiver debulhando, e: ‘O trabalhador é digno do seu salário”.

O texto literalmente diz que os pastores que presidem e pregam a Palavra são merecedores de “dupla honra”. A palavra “honra” se refere tanto ao respeito quanto à remuneração dos líderes, embora a ideia de sustento esteja mais em foco neste capítulo (veja 1 Tm 5:3). Isso não necessariamente significa que o pastor que preside e prega deve receber o dobro do que os outros presbíteros recebem, mas que deve ser sustentado generosamente e com um grau elevado de apreço pelo trabalho.

Repare no fato de que não se trata de uma forma de caridade, esmola para um mendigo ou “presente” que torna o pastor-mestre devedor dos irmãos. Os presbíteros são merecedores desse tratamento. Não devem ser considerados, como acontece em algumas igrejas, como cachorros que devem ficar contentes com as migalhas varridas da mesa dos membros.

Nem todos os presbíteros de uma igreja recebem sustento da igreja. Alguns são fazedores de tendas que se sustentam e ainda colaboram com os ministérios de supervisão eclesiástica e o pastoreio das ovelhas. Outros são bi vocacionais e recebem parte do seu sustento da igreja. E outros, especialmente aqueles que se dedicam integralmente à obra do Senhor, governando e ensinando o povo, vivem integralmente do ministério.

Duas responsabilidades qualificam o obreiro para um sustento generoso (“dupla honra”):

a) O governo da igreja: A palavra traduzida “governar” significa “liderar, presidir, ir adiante”. Esse é o trabalho do epíscopos, ou seja, a pessoa que exerce a super-visão da igreja (1 Tm 3.1). Envolve liderança, pastoreio e administração.

b) O ensino da igreja: Ainda mais importante que o governo é o ensino dedicado da Palavra do Supremo Pastor para Seu rebanho. Aqueles presbíteros que se fadigam neste ministério (a palavra “trabalhar” traz a ideia de muito labor, cansaço e grande esforço – Lc 5.5, 2 Ts 3.8) devem ser remunerados de acordo com esse esforço. Somos lembrados do precedente estabelecido pelos Apóstolos que se dedicaram “à oração e ao ministério da Palavra” (At 6.4).

Paulo ilustra esse princípio citando um texto do Velho Testamento (‘Não amarres a boca do boi quando ele estiver debulhando” (Dt. 25:4) e outro do Novo, das próprias palavras do Senhor Jesus: ‘O trabalhador é digno do seu salário” (Lc 10:7). A ideia em ambos os casos é que não deveria haver outras preocupações distraindo o pastor do trabalho de cuidar e conduzir o rebanho aos pastos verdejantes da Palavra. O boi que pisava o grão, trabalhando arduamente o dia todo e todo dia, mas nunca sendo permitido partilhar dos frutos do seu labor, gera uma situação de frustração, ira, descontentamento e preocupação.

O pastor não deve viver uma vida de luxo enquanto as ovelhas morrem de fome. Mas o contrário não deve ser verdadeiro, e infelizmente isso acontece muitas vezes nas nossas igrejas. As ovelhas têm uma vida boa, mas o pastor está sempre em apertos, vivendo como mendigo em favor dos outros, sejam pais, parentes ou outros irmãos.

Os pastores que já se mostraram fiéis, não avarentos, não ávidos por lucro no ministério (veja as qualificações dos líderes espirituais em 1 Tm 3.1-7), que presidem com coragem e convicção e que ensinam a Palavra de Deus são dignos não somente de um honorário pelo serviço, mas de “dobrados honorários”. Assim, poderão ficar totalmente isentos de preocupações financeiras para se dedicarem ainda mais em proclamar, preparar e presidir sobre o rebanho.

Obviamente há necessidade de equilíbrio aqui. Alguns pastores abusam deste princípio, vivendo um estilo de vida muito acima do rebanho e chicoteando o rebando para eles darem mais e mais. Algumas igrejas especializam em explorar o rebanho, pedindo mais e mais esmolas para construir seus castelos.

O que Paulo quer são ministros livres de preocupações materiais para poder ministrar livremente ao rebanho. Este deve ser o alvo da igreja: proporcionar condições para que o homem que se dedicou à obra de cuidar de nossas almas consiga fazer isso com alegria e sem o pesar desnecessário de preocupações financeiras.

4. 1 Tessalonicenses 5:12,13

Agora vos rogamos, irmãos, que acateis com apreço (lit. “que conheçais”) os que trabalham entre vós, e os que vos presidem no Senhor e vos admoestam (12); e que os tenhais com amor em máxima consideração por causa do trabalho que realizam (13).

O texto chama a igreja a respeitar, ou seja, valorizar e apreciar aqueles que se dedicaram por inteiro ao serviço de suas almas. São pessoas que poderiam ter prosseguido em suas carreiras na vida, mas por serem separados por Deus, obedeceram e renunciaram a muitos “direitos” pelo bem do Reino.

Como devem ser tratados? Paulo diz que “acatais com apreço” esses obreiros. Essa tradução em nossas Bíblias é muito interpretativa pois o texto literalmente diz, “Conheçam seus pastores”. Subentende-se o fato de que, uma vez conhecendo-os, seu desempenho, seu coração, sua garra, seu desprendimento, vão apreciá-los ainda mais. Vão tratá-los com dignidade por causa do trabalho de presidir, admoestar, guiar e ensinar o rebanho.

Quem deve ser tratado assim? “Os que trabalham entre vós, e os que vos presidem no Senhor e vos admoestam”. É o mesmo grupo em vista em 1 Timóteo 5.17,18 e destaca (com os mesmos vocábulos para “trabalhar” e “presidir”) aqueles que são dignos de valorização. São os presbíteros que trabalham, presidem e alimentam o rebanho. A palavra “trabalham” indica um esforço árduo que gera cansaço, seja físico ou mental/espiritual. Aqui se refere ao fardo diário de carregar as necessidades de centenas de almas por quem um dia prestará contas (Hb 13.17). Encontramos a mesma ideia em Colossenses 1:29, depois que Paulo estabeleceu seu alvo de “apresentar todo homem perfeito em Cristo: “para isso é que eu também me afadigo, esforçando-me o mais possível, segundo a sua eficácia que opera eficientemente em mim.” Paulo comparou o ministério pastoral ao trabalho de parto—Meus filhos, por quem de novo sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em vós . . . (Gal 4.19).

Como devemos tratar esses que largaram tudo para nos alimentar, guiar e equipar? Vs. 13 diz, “tenhais com amor em máxima consideração” (13)

A frase “em máxima consideração” traduz uma palavra grega que significa “além de toda medida, sem possibilidade de exagerar.” É a maior forma de comparação possível. O termo foi usado em Efésios 3:20 (infinitamente mais do que imaginamos ou pensamos); Marcos 7:37 “maravilharam-se sobremaneira“; 1 Tessalonicenses 3:10 “orando noite e dia com máximo empenho“. Em outras palavras, Paulo diz que não podemos exagerar no amor que demonstramos aos pastores que zelam pelas nossas almas!

É interessante que o texto diz que devemos CONHECER nossos ministros, para depois APRECIAR e valorizá-los. Poucos de nós realmente sabemos o que é ser pastor, o que é lidar com inúmeros problemas de disciplina, de ovelhas que andam desgarradas, que não deram ouvidos quando o pastor os advertiu e que agora se encontram em perigo. De viver com a pressão de falar em público como porta voz do Senhor, de ficar entre homens e Deus e homens e o inferno, semana após semana, com todos olhando, avaliando, criticando, se desculpando.

4. 1 Coríntios 9.4-15, 18

Não temos nós o direito (4)… de fazer-nos acompanhar de uma mulher irmã, como fazem os demais apóstolos, e os irmãos do Senhor e Cefas? (5) Ou somente eu e Barnabé não temos direito de deixar de trabalhar?(6) Quem jamais vai à guerra à sua própria custa? Quem planta a vinha e não come do seu fruto? Ou quem apascenta um rebanho e não se alimenta do leite do rebanho? (7) Porventura, falo isto como homem ou não o diz também a lei?(8) Porque na lei de Moisés está escrito:

Não atarás a boca ao boi, quando pisa o trigo.

Acaso, é com bois que Deus se preocupa?(9) Ou é, seguramente, por nós que ele o diz? Certo que é por nós que está escrito; pois o que lavra cumpre fazê-lo com esperança; o que pisa o trigo faça-o na esperança de receber a parte que lhe é devida.(10) Se nós vos semeamos as coisas espirituais, será muito recolhermos de vós bens materiais?(11) Se outros participam desse direito sobre vós, não o temos nós em maior medida?

Entretanto, não usamos desse direito; antes, suportamos tudo, para não criarmos qualquer obstáculo ao evangelho de Cristo.(12) Não sabeis vós que os que prestam serviços sagrados do próprio templo se alimentam? E quem serve ao altar do altar tira o seu sustento?(13) Assim ordenou também o Senhor aos que pregam o evangelho que vivam do evangelho;(14) eu, porém, não me tenho servido de nenhuma destas coisas e não escrevo isto para que assim se faça comigo; porque melhor me fora morrer, antes que alguém me anule esta glória.(15) … Qual é o meu galardão? É que, evangelizando, proponha, de graça, o evangelho, para não me valer do direito que ele me dá (18).

No contexto maior de 1 Coríntios 8-10, o Apóstolo Paulo trata da questão de liberdade cristã. No capítulo 9, ele dá seu próprio testemunho de como havia deixado de receber o sustento que lhe era devido, justamente para favorecer o ministério do Evangelho. Sua história deveria servir de exemplo para aqueles que estavam insistindo em seus próprios direitos em detrimento do Evangelho e dos seus irmãos.

Ao mesmo tempo, o texto revela princípios normativos sobre o sustento de ministros. O caso de Paulo foi excepcional, ocasional e temporário, como ele mesmo indica neste e outros textos. Ao longo do texto ele apresenta argumentos que estabelecem o padrão que espera das igrejas.

1. O precedente dos apóstolos. Aparentemente, a maioria dos apóstolos, os irmãos de Jesus e especialmente Pedro (Cefas) viajavam como ministros itinerantes junto com suas esposas e FORAM sustentados por igrejas e irmãos (vv. 4-6).

2. Ilustrações da vida secular. Paulo usa uma série de ilustrações da vida real como

argumentos para justificar o sustento de pastores/missionários:

a) Soldados não pagam para lutar na guerra (7ª);

b) Agricultores comem do fruto do seu trabalho (7b);

c) Fazendeiros saciam-se do leite do rebanho (7c);

A conclusão dessas ilustrações, aplicada aos ministros do Evangelho que se afadigam no serviço de Cristo, é que devem também receber seu sustento do Evangelho.

3. O argumento da Lei (8-11). Paulo cita o texto de Deuteronômio 25.4 que trata de

regulamentos quanto aos bois que debulham grão e que devem ficar livres para desfrutar um pouco do fruto do seu trabalho. A pergunta retórica “Acaso é de bois que Deus se preocupa?” sutilmente argumenta do menor ao maior e leva à resposta, “Não; Deus estabelece um princípio que o obreiro é digno do seu salário e não deve ter sua esperança frustrada (como o boi amordaçado) mas satisfeita.”

4. Ilustrações da vida sagrada (13). Além das ilustrações da vida secular, Paulo exemplifica o princípio de que o trabalhador é digno do seu salário usando a vida dos sacerdotes. Tanto no mundo pagão como no culto de Israel (veja Nm 18.8-24) era normal que aqueles que trabalhavam em prol da vida espiritual de outros recebessem seu sustento material.

Paulo conclui que a igreja tem o dever de sustentar seus obreiros: Os que pregam o Evangelho devem viver do Evangelho (14).

Mas, se esse é o caso, porque Paulo não usufruiu do direito de sustento, pelo menos em seu ministério em Corinto? Ele explica que ele (e Barnabé?), como plantadores de igreja e missionários, OPTARAM por não receber sustento da Igreja de Corinto para evitar qualquer aparência de serem exploradores do Evangelho para benefício próprio. Paulo fez assim também ao plantar as igrejas entre os efésios e tessalonicenses. Como missionários, recebiam, sim, sustento de outras igrejas para poder ministrar para os Coríntios de tempo integral. Mas ele não cobrava os Coríntios pelo seu ministério para não criar nenhuma confusão sobre sua motivação em estar entre eles.

A opção de uma igreja já plantada não sustentar seus obreiros não parece estar em vista aqui. Paulo encorajava as igrejas a participarem fielmente no sustento de seus obreiros, como já vimos em outros textos. Deus ordena que aqueles que vivem para pregar o Evangelho devem receber pelo ministério do Evangelho.

Há vezes em que um obreiro talvez sacrifique seu “direito” de sustento em prol do Evangelho. Neste caso, seu galardão certamente virá do Senhor em tempo oportuno (vv. 15, 18). Mas, note que essa decisão é do obreiro se sacrificar, não é da igreja sacrificar o obreiro!

5. 3 João

Essa pequena carta estimula o envolvimento pessoal e eclesiástico no sustento de obreiros, especialmente missionários itinerantes. João contrasta a maneira pela qual duas pessoas tratavam obreiros:

1) Gaio, aparentemente um membro leigo da igreja, recebia esses missionários, oferecendo-lhes hospitalidade, refrigério e descanso, e os encaminhava de forma digna do próprio Deus;

2) Diótrefes, o líder autoritário e egoísta, recusava receber missionários, se mostrava zeloso pela sua própria fama e bem-estar, fofocava sobre João e seus enviados e expulsava da igreja qualquer um que os acolhia.

Gaio tinha a visão de servir aqueles que saíram por amor ao Nome de Jesus (7a). Ele encarava os missionários como os próprios embaixadores de Cristo, o Rei do Universo, sabendo que, fazendo assim, ele se tornava cooperador com Deus (8; veja 1 Co. 3:9).

A visão que Gaio tinha do mundo e de missões o levava a investir, pela fé, na obra missionária, não dando sobras, mas do que ele tinha “do bom e melhor”. Como diz Malaquias, nosso Deus é um grande Rei (Ml 1.14). Missionários são seus embaixadores que devem ser tratados como se fossem o próprio Rei. Por isso, foram recebidos por Gaio “de maneira digna de Deus” (6, 7a), ou seja, da mesma forma como trataríamos a Deus, ou como se fosse o próprio Deus! (cf. Cl 1:10, 1 Ts 2:12).

O Nome de Deus está em jogo na maneira como tratamos nossos missionários e obreiros do Senhor! Não devem ser tratados como mendigos, mas de forma digna da vocação que escolheram.

6. Filipenses 4:10,11, 14-19

Alegrei-me sobremaneira, no Senhor porque, agora, uma vez mais, renovastes a meu favor o vosso cuidado; o qual também já tínheis antes, mas vos faltava oportunidade. (10) Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. (11) Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; (12) tudo posso naquele que me fortalece. (13)

Todavia, fizestes bem, associando-vos na minha tribulação (14). E sabeis também vós, ó filipenses, que, no início do evangelho, quando parti da Macedônia, nenhuma igreja se associou comigo no tocante a dar e receber, senão unicamente vós outros (15); porque até para Tessalônica mandastes não somente uma vez, mas duas, o bastante para as minhas necessidades (16). Não que eu procure o donativo, mas o que realmente me interessa é o fruto que aumente o vosso crédito (17). Recebi tudo e tenho abundância; estou suprido, desde que Epafrodito me passou às mãos o que me veio de vossa parte como aroma suave, como sacrifício aceitável e aprazível a Deus (18). E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades (19).

O final da carta de Paulo aos Filipenses ressalta um dos motivos pelos quais ele escreveu para aquela igreja amada: Para agradecê-los pelas ofertas (pelo menos três) que lhe foram enviadas, prova evidente do seu amor pelo Evangelho, por Deus e por Paulo (Fp 1.5, 4.10,11, 16).

Podemos destacar alguns princípios sobre sustento pastoral e missionário que saltam do texto. Primeiro, o envolvimento pessoal, generoso e constante da igreja no sustento dos seus obreiros causa grande alegria (10). Os Macedônios, apesar da sua própria necessidade, era participantes com Paulo no ministério da Palavra (2 Co 8.1-6). O fruto dele era também o fruto deles (Fp 1.3-5). O galardão dele seria o galardão deles (Mt 10.40-42).

Em segundo lugar, o obreiro digno não vive em prol do seu salário. Não anda descontente, não vive pedindo ajuda de terceiros e não faz seu ministério girar em torno do dinheiro (11). Mesmo em situações de grande falta, levando a uma certa humilhação (12), ele se satisfaz no Senhor e no privilégio de ser ministro do Evangelho. Não se entra no ministério visando uma vida de conforto e fartura. Esse é um dos testes que separa os falsos mestres dos verdadeiros ministros do Evangelho. Esse é o contexto do versículo 13, muitas vezes tirado fora do seu contexto: “Tudo posso naquele que me fortalece.” Paulo não se refere ao vencimento de provas atléticas, à cura de doenças ou à conquista de promoções. Ele fala sobre a possibilidade de uma pessoa (especialmente o ministro do Evangelho) viver contente com aquilo que Deus lhe dá de sustento.

Terceiro, a contribuição financeira, especialmente para a obra missionária no mundo, é uma maneira que a igreja local pode sofrer junto com o missionário (14). Uma única igreja desprendida e generosa pode fazer grande diferença na obra missionária além de contagiar outras igrejas a fazerem o mesmo (15, 16).

Em quarto lugar, Paulo deixa claro que o real foco do pastor/missionário não deve ser as ofertas e o sustento que recebe, mas o galardão que os ofertantes receberão eternamente (17; cp Mt 10.40-42). Essa perspectiva eterna também revela o coração de um ministro verdadeiro e um falso profeta que vive, ele mesmo, pelo prazer momentâneo.

Finalmente, Paulo destaca como ofertas generosas para os obreiros do Senhor agradam muito a Deus (18). Deus promete suprir todas as necessidades DE IGREJAS GENEROSAS NO SUSTENTO DE OBREIROS (19): E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades. Note que esse versículo tem sido tirado do seu contexto de sustento para obreiros e aplicado em muitas outras situações que não têm respaldo neste texto.

A igreja dos filipenses foi talvez a igreja predileta do Apóstolo Paulo, e parte da razão certamente baseava-se em seu desprendimento no envolvimento pessoal, sacrificial e financeiro na vida dos seus obreiros e missionários.

7. Hebreus 13.7, 17

Lembrai-vos dos vossos guias, os quais vos pregaram a palavra de Deus; e, considerando atentamente o fim da sua vida, imitai a fé que tiveram…(7)

Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros. (17)

O autor de Hebreus destaca algumas responsabilidades do rebanho para com seus líderes espirituais, chamados “guias” (“aqueles que lideram, governam, conduzem”), inclusive de “lembrá-los, observá-los, imitá-los e obedecê-los”. O propósito de todas essas atitudes de submissão e apreço é que os líderes desempenhem seus papéis com alegria e não angústia. O bem do rebanho em geral e de cada ovelha em particular depende disso.

Podemos resumir dizendo que as ovelhas devem fazer tudo em seu poder para facilitar a vida e o ministério dos seus líderes espirituais, que tem implicações em termos do seu sustento também.

Outros Textos

Mt 10.40-42 – Jesus ensina que as pessoas que sustentam o profeta (missionário/obreiro) receberão o mesmo galardão que o profeta e que nada feito em prol dos seus discípulos passará despercebido, mas será galardoado.

Lc 8.1-3 – Jesus e os discípulos foram sustentados por um grupo de mulheres “as quais lhe prestavam assistência com os seus bens”.

Lc 10.1-12 (Mt 10.1-15; Mc 6.7-13; Lc 9.1-6) – Jesus enviou os 70 com urgência e sem provisões (Lc 10.4) porque eles teriam que ser sustentados pelas pessoas que ouviriam sua mensagem. Eles não podiam passar de casa em casa (à busca de condições cada vez melhores?) mas teriam que ficar hospedados na primeira casa que os recebia, contentes com suas provisões, até sair do local. Jesus oferece uma explicação: “Digno é o trabalhador do seu salário” (v. 7). Esse ministério seria oferecido “de graça” porque eles haviam recebido o Evangelho “de graça” (ou seja, não se cobra por ministério – Mt 10.8)

Atos 18.1-5 – Paulo trabalhava com Áquila e Priscila como fazedores de tendas durante a semana, ministrando aos sábados nas sinagogas até a chegada de Silas e Timóteo de Macedônia. Foi uma das ocasiões em que ele recebeu uma oferta dos irmãos pobres de Macedônia (2 Co 8.1-6; 11.8,9; Fp 4.15,16) e que permitiu que ele se dedicasse à pregação da Palavra durante toda a semana (v. 5).

Atos 20.33-35 – Em sua despedida aos presbíteros de Éfeso (Atos 20), onde Paulo havia ministrado por longo tempo, ele ressalta que nunca havia mercadejado a Palavra, cobiçando prata, ouro ou vestes. Ele trabalhara com suas próprias mãos para sustentar a si mesmo e seus colegas, e havia experimentado o que Jesus disse: “Mais bem-aventurado é dar que receber”.

Aparentemente, essa era a prática comum de Paulo ao plantar igrejas; ele se sustentava ou vivia de ofertas de outras igrejas (2 Co 11.8) mas não cobrava no lugar onde ministrava, como aconteceu entre os Tessalonicenses (1 Ts 2.3-9; 2 Ts 3.6-8) e Coríntios (1 Co 4.12, 9.6, 2 Co 12.14-18). Mesmo sendo seu direito de ser sustentado, ele escolheu não o usufruir em benefício do Evangelho. (“Embora pudéssemos, como enviados de Cristo, exigir de vós a nossa manutenção” 1 Ts 2.7)

Tiago 5.1-6 – Deus repreende pessoas ricas que vivem vidas regaladas mas retêm o salário daqueles que os servem e os exploram. O princípio ressalta de forma mais genérica o que Paulo fala em Gálatas 6.6-8 sobre o tratamento dos pastores-mestres.

1 Pedro 2.13-17 – Em todas as questões, a igreja tem a responsabilidade de obedecer às leis em vigor, desde que não contrariem as Escrituras.

Perguntas

Pergunta 1: A esposa do pastor pode/deve trabalhar fora de casa para complementar a renda familiar? O que se espera dela em termos de envolvimento ministerial?

Resposta: As Escrituras apresentam alguns modelos que sugerem que a resposta seja relativa. Ou seja, “cada caso é um caso”:

1. À luz do que Paulo fala em 1 Coríntios 9.5ss, parece que as esposas dos apóstolos os acompanhavam em suas viagens missionárias itinerantes e que como casais, viviam do sustento de outros irmãos.

2. A mulher virtuosa em Provérbios 31.10-31 realiza muitas atividades dentro e fora do lar que resultam em boas economias e um lucro razoável, ao ponto de “liberar” o marido para ficar entre os anciãos em Israel (“Seu marido é estimado entre os juízes, quando se assenta com os anciãos da terra” Pv 31.23).

3. A Priscila trabalhava junto com seu marido Áquila (e com Paulo) como fazedores de tendas para que juntos pudessem desenvolver outros ministérios de ensino e apoio (At 18.2-5).

4. Tito 2.3-5 ensina que as esposas mais jovens têm três responsabilidades fundamentais voltadas para o lar: Amar (cuidar) do marido; amar (cuidar) dos filhos; ser boa dona de casa. Tudo além disso é lucro. A esposa de pastor deve servir como exemplo para todas as mulheres da igreja e precisa ter condições para desempenhar bem esses três papéis antes de assumir outras responsabilidades, inclusive ministeriais.

Resumo: Podemos concluir que há uma certa flexibilidade na questão, mas que mulheres mais jovens, esposas de pastores, devem ter a possibilidade de modelar o cuidado do marido, dos filhos e do lar para o rebanho. Com o passar do tempo, existe a possibilidade de assumir mais ministérios ou, havendo necessidade, de desenvolver atividades remuneradas dentro e fora do lar.

Pergunta 2: O jovem pastor deve ser testado pela privação e pelo sofrimento nos primeiros anos do seu ministério para mostrar que tem um chamado genuíno e prepará-lo para as dificuldades do ministério pastoral?

Resposta: Nada nas Escrituras sugere que sofrimento (ministerial) deve ser artificialmente fabricado para testar o jovem pastor. A vida e o ministério já proporcionam provações suficientes. Além disso, qualquer um que ocupe um ofício da igreja (pastor/presbítero/bispo, diácono) já deve ter passado por um processo de avaliação cuidadosa (1 Tm 3.1-7, 10; 5.22) antes de ocupar essas posições. O jovem pastor deve exibir qualidades de maturidade espiritual excepcional e além dos seus anos para se qualificar como “ancião”.

Mas há outros fatores envolvidos na questão do sustento de um jovem pastor, especialmente quando esse ainda não desenvolve plenamente o ministério de ensino e de governo, carregando o peso da congregação sobre seus ombros (dobrado honorário). Mas fazê-lo sofrer financeiramente para prová-lo não parece ter respaldo nas Escrituras.

Parêntese: Tomemos cuidado com a mentalidade que diz que os vocacionados, especialmente missionários, são servos da Igreja e de Deus, já renunciaram aos confortos desta vida e por isso devem viver como mendigos. Como já vimos, essa mentalidade fica longe do ideal de tratar obreiros como trataríamos o próprio Deus (3 Jo 6, 7ª).

Pergunta 3: É correto dizer que os pastores devem ter um sustento mais ou menos igual à média da congregação?

Resposta: Não existe nenhum texto que diz isso, mas 2 Coríntios 8.13-15 dá alguma direção: Não é para que os outros tenham alívio, e vós, sobrecarga; mas para que haja igualdade, suprindo a vossa abundância no presente a falta daqueles, de modo que a abundância daqueles venha a suprir a vossa falta, e assim haja igualdade, como está escrito: O que muito colheu, não teve demais; e o que pouco, não teve falta.”

À luz do texto, Paulo não queria que uns passassem fome na igreja enquanto outros viviam no luxo, e vice-versa. Pastores que têm jatos particulares, mansões na praia e múltiplos carros importados na garagem enquanto muitas das suas ovelhas vivem na miséria é um afronto ao Evangelho. Ao mesmo tempo, membros de uma igreja que têm muitos bens, mas mantêm seus líderes espirituais como escravos ou necessitados também ferem princípios bíblicos.

No fim, mais importante que a questão de valores ou a média da congregação parece ser a LIBERDADE PARA MINISTRAR sem muitas outras preocupações na vida. O excesso de bens pode também criar preocupações. Apela-se por equilíbrio.

Pergunta 4: É legítimo um ou mais pastores da equipe ganhar mais do que os outros?

Resposta: Sim, à luz de 1 Tm 5.17,18 que fala de “dobrados honorários” no caso de presbíteros que se afadigam tanto no ministério da Palavra como no governo (supervisão/administração) da Igreja. Questiona-se se é sábia uma grande defasagem com desigualdade entre a equipe (veja os mesmos princípios na Pergunta 3 acima) mas fatores como: Responsabilidade; tempo de casa; experiência; fidelidade e mais devem influenciar, pelo menos em parte, a remuneração dos pastores.

Pergunta 5: Até que ponto é a responsabilidade da igreja cuidar da previdência e aposentadoria dos seus obreiros?

Resposta: Temos pouco precedente bíblico para dar uma resposta definitiva. Tudo indica que os sacerdotes do Velho Testamento continuavam recebendo seu sustento mesmo depois de terem parado seu trabalho efetivo através dos dízimos dos Israelitas (Nm 18.8-31). Não recebiam nenhuma herança na Terra Prometida porque o dízimo lhes pertencia.

Na economia dos tempos bíblicos, os parentes também se responsabilizavam pelo cuidado dos seus (1 Tm 5.8, 16). No caso de viúvas, a igreja só entrava em ação quando a família não podia fazer isso, e quando a pessoa apresentava as qualificações necessárias (1 Tm 5.8-16).

Ao mesmo tempo, as ordens para honrar e cuidar dos obreiros não parecem ter data de validade, especialmente no caso de obreiros que passam a maior parte de suas vidas servindo a mesma igreja. No mínimo, deve haver uma preocupação por parte da igreja na previdência do obreiro. Ele está se preparando para o futuro, assim como a formiga de Provérbios 6.6-11? O sustento que recebe é suficiente para uma aposentadoria digna? Se mora numa casa ou apartamento pastoral, ele está ciente de que precisará de moradia depois de se aposentar? A igreja fornece as condições para que isso aconteça?

Resumo de Princípios

1. A igreja que valoriza a Palavra de Deus faz de tudo para verificar que seus pastores-mestres tenham tudo que precisam para desempenhar o ministério da Palavra da forma mais eficaz possível, com o mínimo de distrações (Gl 6.6).

2. Os pastores que se desdobram tanto na supervisão da igreja quanto no ministério da Palavra devem receber um destaque proporcional de cuidado e sustento, para continuar desempenhando esses ministérios da forma mais eficaz possível (1 Tm 5.17,18).

3. Embora o pastor-mestre possa recusar sustento por várias razões, essa decisão é pessoal e não deve ser extrapolada para todos os ministros. A Igreja sempre deve “errar” do lado de cuidar da melhor forma possível (dentro das suas condições) do ministro e da sua família.

4. O ministro que decide, a bem do Evangelho, se autossustentar como “fazedor de tendas” receberá um galardão especial do Senhor pelo desprendimento em prol do Evangelho (1 Co 9).

5. O fator maior em todas as questões de sustento pastoral é o avanço do Evangelho através de um testemunho irrepreensível da Igreja para a glória de Jesus.

6. O missionário ou pastor que não ensina a Igreja sobre seu dever de sustentar os obreiros pode criar uma situação de paternalismo e roubar a Igreja do seu galardão pelo investimento na Palavra (Gl 6.6). (Ou seja, a igreja que pode sustentar dignamente seus obreiros mas não o faz, pode criar obstáculos no futuro para o avanço do Evangelho.)

7. Havendo oportunidade, o ministro fazedor de tendas que tem a opção de dedicar-se de tempo integral ao ministério da Palavra pode fazê-lo (At 18.1-6).

8. É a responsabilidade da igreja local, junto com sua liderança, de estar sempre avaliando as situações individuais e familiares de cada um dos seus ministros para averiguar se tem ou não as condições necessárias para desempenhar o ministério como Deus quer.

9. É a responsabilidade da igreja local cuidar tanto dos seus ministros como dos seus missionários de forma digna do próprio Deus (3 João).

10. Parece recomendável que o sustento pastoral seja determinado por alguns fatores locais:

a. As condições da igreja e suas expectativas dos ministros: horas de trabalho, responsabilidades, esposa no ministério, etc.

b. Circunstâncias e experiência de vida no ministro: idade, situação familiar, escolaridade, anos de experiência ministerial, etc.

c. O grau de envolvimento com os ministérios de supervisão/governo da igreja e o ensino da Palavra (“dobrado honorário” 1 Tm 5.17,18).

d. A renda dos membros da igreja e especialmente dos outros líderes espirituais e professionais liberais, evitando o luxo mas também fugindo de mediocridade, para que haja identificação com o rebanho mas também sem frustração (2 Co 8.13-15; 1 Tm 5.17,18; Gl 6.6)

Resumo O sustento oferecido aos seus obreiros revela o valor que a Igreja dá à Palavra de Deus e visa o avanço do Evangelho e saúde espiritual para ela. Perguntas para Discussão e Avaliação

1) Demonstramos de forma prática no sustento dos obreiros da nossa igreja que valorizamos a Palavra de Deus?

2) Sustentamos nossos pastores e mestres de forma “digna de Deus”?

3) Temos acompanhado de perto as necessidades dos nossos pastores?

4) Conhecemos os nossos pastores, suas necessidades e dificuldades e temos feito o possível para ajudá-los e honrá-los?

5) Avaliamos periódica e sistematicamente o sustento pastoral?

6) Damos condições para que a vida familiar dos nossos pastores seja equilibrada e conforme princípios bíblicos para servirem de modelo para o rebanho?

7) Damos condições para que nossos ministros sirvam com alegria (Hb 13.17)?

8) Qual a política de previdência e aposentadoria que a igreja tem?

a. Ajudamos os pastores a se prepararem para o futuro?

b. Pagamos o suficiente para eles se prepararem para uma aposentadoria digna?

c. Se a filosofia da nossa igreja envolve pastores que permanecem sempre na igreja, criamos condições para eles se aposentarem entre nós?

9) Até que ponto outros fatores devem entrar na avaliação e orçamento do sustento pastoral:

a. Alojamento (suficiente para cumprir a exigência de ser hospitaleiro – 1 Tm 3.2)

b. Educação (tanto do pastor como da sua família)

c. Crescimento e refrigério (livros, conferências, etc.)

d. Despesas (viagens, combustível, visitas, etc.)

e. Outros

10) Esperamos que outros (pais, parentes, amigos, outras igrejas) supram as necessidades dos nossos pastores?

11) Nossos missionários e os pastores das nossas congregações têm suas necessidades supridas de forma digna, permitindo que foquem no ministério do Evangelho?

12) Estamos ajudando as nossas congregações a assumirem um sustento pastoral digno?

Referências:

Episode 76: On Pastoral Pay

How Much Should You Pay Your Pastors?

Book Review: The Book Your Pastor Wishes You Would Read

[1] Há muitas outras responsabilidades da igreja local para com seus líderes, que poderiam ser estudadas, tais como: Respeito; submissão; reconhecimento; honra; obediência, etc. Também há valor no estudo do contexto judaico por trás dos ensinamentos do Novo Testamento sobre sustento pastoral como, por exemplo, o sustento exigido para sacerdotes e levitas e o cuidado dos profetas. Outro estudo proveitoso seria da história da igreja e a maneira como tem sustentado seus cleros, inclusive os abusos praticados ao longo dos séculos. Mas aqui vamos nos restringir à questão de sustento pastoral à luz do Novo Testamento.

Fonte: palavraefamilia.org.br

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