Estudos Bíblicos

O Espírito na Carta aos Filipenses

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Um estudo das três ocasiões em que encontramos o Espírito mencionado na carta aos Filipenses. Originalmente publicado nos primeiros números da revista “O Caminho”.

Um estudo das três ocasiões em que encontramos o Espírito mencionado na carta aos Filipenses. Originalmente publicado nos primeiros números da revista “O Caminho”.

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Somente em três ocasiões encontramos mencionado o Espírito na carta aos Filipenses. São elas:

• “Porque sei que disto me resultará salvação, pela vossa oração e pelo socorro do Espírito de Jesus Cristo.” (1:19);

• “… se alguma comunhão no Espírito …” (2:1);

• “… que servimos a Deus em Espírito …” (3:3), ou “… nós que adoramos a Deus em Espírito…” (Versão Atualizada).

Contudo, como são importantes estas ocorrências! Nos trazem muitas instruções.

A Trindade

Ao considerar estas ocorrências, deve nos chamar atenção o fato de que em cada uma delas nos é apresentada uma Pessoa da Trindade Divina.

• 1:19, fala-nos do Espírito de Jesus Cristo: o Filho;

• 2:1, fala da comunhão do Espírito, lembrando-nos que é só pelo Espírito Santo que podemos gozar de verdadeira comunhão com Deus e com os irmãos. Sendo assim, este versículo nos mostra outra Pessoa da Trindade Divina: o Espírito Santo;

• 3:3, vemos a adoração (serviço religioso a Deus) em Espírito, e não é necessário muito esforço para notar que aqui nossos olhos são levados a olhar para o Pai, pois é o Pai que procura adoradores (servidores) (João 4:23).

Assim temos a Trindade Divina: o Filho, o Espírito Santo, e o Pai.

A Ordem

Devemos também tirar alguma lição com relação à ordem em que nos são apresentadas estas três ocorrências.

1) Socorro do Espírito de Jesus Cristo;

2) Comunhão no Espírito;

3) Adoração ou serviço em Espírito.

Podemos ver que nos planos de Deus primeiro é o socorro ou salvação, depois vem a comunhão e finalmente serviço. Vemos este mesmo princípio ensinado e ilustrado em muitos textos da Bíblia.

Em Luc. 8:26-39 temos esta verdade ilustrada na vida daquele endemoninhado gadareno. Primeiro ele experimentou libertação, salvação (vs. 33,36). Em seguida encontramos este homem aos pés do Senhor; isto nos fala de comunhão (v.35). Só depois, então, o encontramos servindo (v.39).

Esta mesma ordem vemos demonstrada em Ef. 2:1-10. Nos vs. 1-5, Ele nos deu vida, salvação. V. 6, assentados nos lugares celestiais, comunhão. E no v._10, criados para as boas obras, serviço.

Compare isto com o que aconteceu com Lázaro em João 11 e 12 e teremos o mesmo princípio. Vida (11:43-44); comunhão (12:2); testemunho (12:9-11).

Esta é a ordem indicada por Deus nas Escrituras e precisamos segui-la. Quantos erram querendo servir a Deus sem nunca terem nascido de novo, sem nunca terem sido salvos pela fé no Senhor Jesus Cristo.

”São somente tais pessoas, salvas pelo crer

Que, por Cristo, as obras boas poderão fazer.”

Por outro lado, quantos crentes estão falhando em servir ao Senhor por falta de comunhão com Deus e com Seu povo. O propósito de Deus para a vida do crente é que, estando em plena comunhão com Ele e vinculado a uma Igreja local, e logo em plena comunhão com os demais crentes, sirvamos ao Senhor.

”Senhor, queria te servir,

Mas faltava-me sabedoria.

Queria Teu Evangelho pregar,

Mas faltava-me ousadia.

Clamei a Ti, e o Senhor me disse:

‘O que você precisa, é

Andar em Minha companhia’. “

Vamos considerar cada passagem no seu contexto.

O Socorro do Espírito de Jesus Cristo

Paulo quando escreveu esta carta, estava preso (1:13) por causa da palavra do Senhor, esperando um julgamento que poderia resultar em sua morte ou libertação, conforme nos é indicado neste capítulo. Veja 1:20-26. Contudo há algumas coisas dignas de nota que este servo de Deus nos fala aqui, para que possamos seguir seu exemplo.

1) Mesmo preso Paulo estava regozijando-se, pois sua prisão havia contribuído para o progresso do Evangelho. Em outras palavras: se o seu sofrimento trazia algum benefício ao Evangelho, alguma glória a Deus, então ele se contentava com isso.

Que exemplo maravilhoso! Que lição de harmonia com os propósitos de Deus! Quantos de nós nas horas de aflições, apertos, angústias, procuramos descobrir em que aquela situação tem servido para glorificar ao nosso Senhor, e nos conformamos e até nos alegramos com as provações?

Em Cant. 4:16 lemos: “Levanta-te, vento norte, e vem tu, vento sul; assopra no meu jardim, para que se derramem os seus aromas. Ah! se viesse o meu amado para o meu jardim, e comesse os seus frutos excelentes!”

Será, irmãos, que nós também estamos prontos para que os ventos das provações soprem nos nossos jardins, isto é, nas nossas vidas? É só assim que os “aromas” da nossa fé, e do fruto do Espírito, poderão ser aspirados e apreciados pelo nosso Amado. Quantos nas horas de provações, só deixam exalar o cheiro de murmúrios, de desesperos, de revoltas; coisas estas que não sobem como aroma suave ao nosso Deus, mas sim como algo repugnante.

2) Em segundo lugar, Paulo nos ensina a olhar para o fim de todas as coisas, para o futuro. Essa é uma maneira eficaz de nos manter firmes. Veja como Paulo pensava: “Para mim … o morrer é ganho” (1:21) e mais ainda, ele diz: “… tendo o desejo de partir, e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor” (1:23).

Aqui estava algo onde ele poderia lançar uma âncora da fé e se firmar; o fato de que no fim ele estaria com Cristo. Não importava tudo quanto ele passaria por aqui, nada o poderia separar do amor de Cristo (Rom. 8:35-39). Olhar para as promessas eternas de Deus e se firmar nelas tem sido uma força para o servos de Deus que não andam pela vista, mas pela fé. Foi assim que Pedro consolou aqueles irmãos que estavam passando por grande tribulação (I Ped. 1:3-9). É como se Pedro estivesse dizendo: Olhem para a nossa herança nos céus, olhem para a nossa salvação final.

Foi mandando Habacuque olhar para Suas promessas futuras que Deus tirou o profeta de uma tremenda confusão da sua mente e o levou a dizer aquelas pala-vras tão maravilhosas e cheias de confiança no Deus da sua salvação: “Portanto, ainda que a figueira não flo-resça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira min-ta, e os campos não produzam mantimentos; as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja vacas; todavia eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação. Jeová, o Senhor, é minha força, e fará os meus pés como os das cervas, e me fará andar sobre as minhas alturas” (Hab. 3:17-19).

Que possamos ter os nossos olhos fixos no futuro glorioso dos crentes, e não ficarmos olhando tanto para os problemas.

3) Finalmente, o nosso Deus não é um Deus tão fraco que não possa fazer nada no presente.

Precisamos, sim, ter a atitude correta de nos moldar aos propósitos dEle para nossas vidas, mesmo nas tribulações. Precisamos ficar firmes na fé, confiando nas promessas eternas do nosso Deus, pois Seus propósitos são infalíveis, e nenhuma de Suas promessas cairá por terra. Porém vemos que Paulo era alguém muito prático, e sabia que poderia contar com o socorro do Espírito de Jesus Cristo mesmo naquela situação. É isto que temos no v.19. Ele estava falando de uma libertação daquela prisão, e estava confiando na intercessão dos filipenses, mas também no socorro do Espírito de Jesus Cristo. Como são eficazes nossas orações nestas horas de aflições! “Está alguém entre vós aflito? Ore” (Tia. 5:13a).

Contudo é bom aprendermos a depender do socorro do Senhor. Paulo não desprezou as orações, mas mostrou que ele tinha uma esperança mais forte: o socorro do Espírito de Jesus Cristo.

É óbvio que iremos mostrar nossa dependência do Senhor através da oração, mas não podemos nos enganar, fazendo da oração “um fim” e não “um meio”, isto é, achar que nossa oração é que é poderosa, esquecendo que o poder é do Senhor a quem oramos.

Irmãos, que possamos nas horas de aperto esperar no socorro do Senhor e com confiança dizer: “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia” (Sal. 46:1).

Notamos anteriormente que há somente três ocorrências do Espírito na carta aos Filipenses (1:19; 2:1; 3:3). Já consideramos a primeira ocorrência, “o socorro do Espírito de Jesus”. Vamos para a segunda.

Comunhão no Espírito

”Portanto, se há algum conforto em Cristo, se alguma consolação de amor, se alguma comunhão no Espírito, se alguns entranháveis afetos e compaixões … “ (Fil 2:1).

Neste versículo, Paulo não está pondo em dúvida se havia ou não estas coisas entre os crentes de Filipos, antes está afirmando que eles tinham estas experiências nas suas vidas.

Todo verdadeiro crente tem que ter experiência de conforto, consolação, comunhão, e ser misericordioso.

Estas coisas merecem nossa consideração, mas vamos nos deter apenas na comunhão do Espírito.

I — Comunhão Posicional

Com a descida do Espírito Santo em Atos 2, formou-se o “Corpo de Cristo”.

Antes da descida do Espírito, os discípulos estavam reunidos (At. 2:1). Após a descida lemos; perseveravam na comunhão (At. 2:42); estavam juntos, e tinham tudo em comum (At. 2:44).

Antes da descida do Espírito os discípulos estavam reunidos como “um molho de trigo”. Após a descida estão unidos como “um pão”.

Lembremos que a descida do Espírito foi o cumprimento do Pentecoste. Esta festa era cinqüenta dias após as primícias, e eram trazidos dois pães levedados. Creio que estes pães prefiguram os judeus e os gentios que estavam separados, mas com a descida do Espírito formou-se um só rebanho.

Paulo trata desse assunto em Efésios cap. 2:

”…de ambos os povos fez um…” (v. 14);

”…para criar em si mesmo dos dois um novo homem…” (v. 15);

”…reconciliar ambos com Deus em um corpo…” (v. 16).

Em I Cor. 12:13, lemos: “…todos nós fomos batizados em um Espírito formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres…”.

Com isso concluímos que todos os verdadeiros crentes, desde Atos 2 até o arrebatamento, são membros do Corpo de Cristo, e logo, são “um” (João 17:21).

Em João 17 o Senhor Jesus estava orando pela unidade dos que cressem nEle. É inconcebível pensar que a oração do Senhor não foi respondida e que Jesus Cristo tenha falhado em fazer dos seus discípulos “um no Pai e no Filho”.

Ainda que hoje vemos tantas divisões no povo de Deus, podemos ter certeza que as portas do inferno não prevaleceram contra a Igreja, e todos os que verdadeiramente nasceram de novo pertencem à família de Deus, e fazem parte desta comunhão no Espírito.

Como crentes, ocupamos esta posição de comunhão. Fazemos parte de um mesmo corpo, o Corpo de Cristo.

Este privilégio não pertence a um determinado grupo religioso, nem a alguma denominação, mas aos verdadeiros crentes, independentemente de credos, costumes, bandeiras denominacionais, etc.

II — Comunhão Prática

Neste assunto não vamos considerar o pecado do denominacionalismo, pecado este que já temos demonstrado em números anteriores deste jornal. Vamos, porém, tirar algumas lições práticas, isto é, que possam nos levar a uma comunhão prática na igreja local.

A palavra comunhão tem o sentido de ter algo em comum, de se comunicar em auxílio mútuo, de participar juntos de uma mesma coisa, tendo um mesmo propósito.

Olhando para algumas ocorrências no Novo Testamento, podemos aprender muita coisa.

a) Perseverança na Comunhão

”E perseveravam… na comunhão …” (At. 2:42).

A palavra “perseverar” indica um propósito firme de continuar. Quer dizer que aqueles primeiros discípulos estavam empenhados em viver uma comunhão verdadeira.

A comunhão que hoje existe, amanhã poderá não existir; depende do esforço de cada um.

Qual tem sido sua participação para manter a comunhão na igreja local à qual você pertence? Se todos agissem como você, a comunhão da sua igreja seria melhor ou pior?

b) Gozo na Comunhão

Em I Jo. 1:3, 4 vemos que o gozo só será completo se tivermos comunhão.

Já nos versos 6 e 7, aprendemos que nossa comunhão com Deus só é verdadeira se tivermos comunhão uns com os outros.

c) Presença nas Reuniões

Não há dúvida que estarmos juntos nas reuniões é uma maneira muito prática de comunhão.

Se alguém não está partindo o pão com os irmãos, não está orando junto, nem sendo instruído na Palavra juntamente com os demais, então não está em comunhão.

Alguém que só aparece de vez em quando nas reuniões, também não pode estar em comunhão com os irmãos. Será que tal pessoa pode estar em comunhão com Deus?

O escritor aos Hebreus diz: “Não deixando nossa congregação (ou ‘de congregar’) como é costume de alguns …” (Heb. 10:25a).

d) Comunicação

Outra ocorrência importante é em Filipenses 4:15: “… nenhuma igreja comunicou comigo com respeito a dar e a receber, senão vós somente”.

A palavra “comunicou”, aqui usada, é da mesma raiz de comunhão; Paulo esta mostrando como aqueles irmãos em Filipos tinham uma comunhão prática no sentido de dar e receber. Aqui está falando de ajuda financeira, de coisas materiais. A comunicação destas coisas é evidência de uma verdadeira comunhão.

Em Atos 2:42-47, vemos todos estes aspectos no início da igreja.

Olhando para nossos dias, vemos quão longe estamos do modelo. Hoje há egoísmo, individualismo, indiferença; é cada um por si …

Não foi assim no princípio …

Que possamos voltar ao princípio e vivermos uma verdadeira comunhão prática.

L. M. Altoé

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