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Comércio da Palavra de Deus: para quem foi escrito 2 Pedro 2:3?

Comércio da Palavra de Deus: para quem foi escrito 2 Pedro 2:3?
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É errado vender/comprar produtos evangélicos?

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O que realmente podemos chamar de comércio da Palavra de Deus? O comércio na igrejadeveria realmente acontecer? Como aplicarmos o que o apóstolo do Senhor escreveu em 2 Pedro 2:3?

Existem pessoas que não concordam com investimento financeiro em produtos evangélicos, seja para estudar a Bíblia ou outro motivo qualquer, e defendem sua opinião baseando-se no que o apóstolo Pedro escreveu em sua carta, veja:

Mas também houve falsos profetas entre o povo, assim como entre vós haverá também falsos mestres, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e até mesmo negando o Senhor que os comprou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição.

E muitos seguirão as suas maneiras perniciosas, pelas quais o caminho da verdade será blasfemado.

E por cobiça farão de vós negócio com palavras fingidas;
sobre os quais o julgamento não tardará, e a sua perdição não dorme. (2 Pedro 2:1-3 KJF).

Mas a realidade é que a questão de comércio da Palavra de Deus é um tanto relativa, isto é, não tem caráter único ou absoluto, nem tudo que parece comércio ou ganancioso mercado gospelde fato é.

O contexto desta passagem de 2 Pedro 2:3 não pode ser aplicado em todos os casos, pois nem todos vão se tratar de um malicioso e ganancioso comércio da Palavra de Deus, o que veremos mais adiante neste estudo.

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Note na passagem acima as palavras que eu deixei em vermelho, para que percebamos sobre que tipo de contexto/situação/pessoa Pedro se referia, e que comparação ele faz.

Vou repeti-las abaixo para ficar bem claro, veja:

  • falsos profetas;
  • falsos mestres;
  • introduzir encobertamente heresias;
  • negar ao Senhor;
  • pernicioso (que causa dano ou que prejudica);
  • blasfêmia;
  • cobiça;
  • palavras fingidas;
  • negócio, comercialização, tirar proveito de, enganar tendo em vista o lucro pessoal, amor ao dinheiro (Mt 6:24), etc…Mas será que este texto de 2 Pedro 2:3 é aplicado para todos os casos ou tipos de trabalhos/pessoas?

    E todos os casos realmente tratam-se de comércio da Palavra de Deus por pura cobiça/ganância?

    Vamos examinar isto com mais detalhes, e não sejamos incompreensíveis ou como mulas ou cavalos, que tem sua visão limitada por antolhos.

    Se este texto fosse aplicado para todos os casos, então isto quer dizer que não poderíamos vender bíblias ou livros nas livrarias evangélicas, não é mesmo?!

    Elas teriam que ser entregues gratuitamente para o público, pois ao venderem estariam fazendo comércio da Palavra de Deus!

    Também não poderíamos vender materiais de estudo bíblico como dicionários bíblicosatlas bíblicos, manuais (como o Manual de Discernimento bíblico de Harold L. Willmington), bíblias de estudo, etc., pois de certa forma tais autores estariam criando conteúdo para simplesmente fazerem comércio da Palavra de Deus por cobiça, e assim tirarem proveito do dinheiro do povo de Deus, não é mesmo?!

    A questão é óbvia, como seria possível pagar os custos de cada trabalho, e não só custo financeiro, mas também custo de tempo e dedicação do autor, que é o mais precioso?

    Pois, se um autor dedica seu tempo (integral ou não) e estuda muito para criar tais obras, como poderia ele prover o sustento para sua casa se seu trabalho não lhe dá renda alguma, visto que isto agora é sua profissão?

    Neste caso poderíamos considerar que este trabalho é uma ajuda mútua, onde um dedica-se para trazer conhecimento e capacitação aos outros, e estes, por sua vez, contribuem com o ministério/trabalho daquele irmão em Cristo (Gl 6:61 Tm 5: 17-18)

    A questão é diferente quando se trata de evangelizar novas pessoas através de missões, por exemplo, e levar o conhecimento da Salvação à elas, pois daí entramos em outro contexto (Mt 10: 7-8).

    Nós precisamos, na realidade, analisar todos os lados dessa história, e discernir quem são os falsos obreiros que estão verdadeiramente fazendo comércio da Palavra de Deus com intenções impuras e maliciosas, por pura cobiça, e quem são aqueles que estão se dedicando para capacitar outros obreiros, tendo como objetivo o amadurecimento da igreja, o estudo bíblico, o crescimento no conhecimento da Palavra de Deus (Ef 4: 11-14).

    Digo isso porque quando tentamos aplicar o versículo de 2 Pedro 2:3 a todos os tipos de pessoas, casos ou contextos estamos errando, pois este versículo não aponta para todas elas, basta ler seu contexto.

    Portanto, veja o que diz a parte a de 2 Pedro 2:1.

    “Mas também houve falsos profetas entre o povo, assim como entre vós haverá também falsos mestres, que introduzirão encobertamente heresias de perdição […]”

    Vemos claramente que este texto direciona-se aos falsos profetas que introduziram-se em Israel, induzindo-os ao erro (Dt 13:1-3Jr 23:32).

    E também se dirigia aos falsos mestres que se introduziram na igreja primitiva (Mt 7: 15-16Rm 16:17-181 Tm 6: 3-52 Tm 2: 17-181 Jo 4:1) e que hoje se introduzem em nossas igrejas (Mc 13:21-23), e maliciosamente enganam as pessoas a fim de lucrar às custas delas, adquirindo dinheiro se aproveitando de sua “inocência”, ou de sua fé, e oferecendo-lhes algo que na verdade não tem nenhum valor.

    Temos exemplos insanos de artigos supostamente evangélicos sendo vendidos a preços absurdos, itens como:

    • tijolos da prosperidade,
    • lenço ungido,
    • travesseiro do sonho profético,
    • vento de Búzios (ensacado),
    • vassoura ungida, e assim por diante.

    Produtos como esses acima são vendidos no intuito de conseguir dinheiro do povo em troca de falsas bênçãos e prosperidade, isto descreve bem o que você leu em 2 Pedro 2:3, pois são verdadeiros mercenários, obreiros fraudulentos, lobos vestidos de ovelhas, que se introduzem no rebanho para devorá-lo!

    Em sua ambição pelo dinheiro, esses falsos mestres vão explorar vocês, contando histórias inventadas. (2 Pedro 2:3a NTLH)

    Agora vamos examinar para quem Pedro não escreveu este texto! (2 Pedro 2:3)

    Por outro lado, hoje em dia se uma pessoa deseja tornar-se um pastor, ele deve passar por pelo menos 4 anos em um seminário de teologia estudando para isso, pagando uma mensalidade durante todo esse tempo e comprando materiais de apoio ao estudo bíblico.

    Isto quer dizer que ele está errado em pagar pelo seminário, ou que aqueles que o cobram por isso estão maliciosamente, e de forma ilícita, fazendo comércio da Palavra de Deus?

    De modo nenhum!

    Pois diferente do primeiro caso, este segundo tem seus custos de criação/manutenção ou investimentos a serem feitos, porque você bem deve saber que sem dinheiro no nosso mundo atual não conseguimos fazer muitas coisas…

    Além disso, o obreiro que está ensinando deve dedicar tempo de estudo e preparo de material para os outros obreiros também, e é um princípio bíblico compartilhar de nossos bens com tais verdadeiros trabalhadores do evangelho (1 Co 9: 13-14Gl 6:6).

    Um missionário, por exemplo, não pode ser enviado para evangelizar se não for sustentado pela igreja, pois trabalhará em tempo integral no evangelismo, discipulado e ensino da Palavra.

    Além dos custos naturais do trabalho no campo missionário, o obreiro em questão não deixou de ser um ser humano, ele ainda tem necessidades básicas que todos temos, isto inclui um pouco de lazer também.

    Um pastor, por exemplo, não poderá ser tão produtivo em sua igreja se este tiver um outro trabalho além do ministério pastoral.

    Leia também o estudo: Pastor pode receber salário?

    E se muitos não sabem, os próprios apóstolos usufruíam do direito de receber ajuda material/financeira da igreja, pois viviam apenas do evangelho (1 Coríntios 9: 3-11).

    Entretanto, há muitos crentes por aí que desprezam seminários teológicos ou cursos de teologia, alegando equivocadamente que “a letra mata”, por exemplo.

    Muitos acham que basta ter o chamado e pronto, já pode tornar-se pastor, não precisa estudar muito porque Deus vai fazer a sabedoria e o conhecimento “caírem do céu”, ou vai capacitando assim “do nada”, sem tanto preparo.

    Mas brevemente quero destacar que todos os escolhidos de Deus tiveram uma “escola de preparo” antes de exercerem o ministério para o qual Deus lhes chamou.

    • José recebeu revelações de Deus em sonhos aos seus 17 anos, mas somente aos 30 ele tornou-se governador do Egito.
      Todo tempo que veio antes disso, enquanto ainda era escravo e prisioneiro, lhe proporcionou preparo e inteligência na administração de coisas menores (casa de Potifar e prisioneiros), para que então pudesse ser capaz de administrar as maiores (todo o Egito).
      Somente aos 39 anos (22 anos depois) que os sonhos que ele tivera, como revelação divina, cumpriram-se (aos 30 se torna governador, passam-se 7 anos de fartura, e depois mais 2 anos de crise até que seus irmãos vão ao Egito, logo 39 anos ele tinha).
    • Davi foi ungido rei de Israel pelo profeta Samuel na casa de seu pai, mas somente muitos anos depois que ele foi, de fato, começar o seu reinado.
      Todo o tempo que veio antes disso proporcionou-lhe um preparo bélico, emocional, devocional a Deus, que lhe deu maturidade para finalmente tornar-se rei de Israel.
      Davi, inclusive, ganhava guerras para o próprio rei Saul, do qual sucederia o trono.
    • Cada profeta de Israel tinha de passar pela escola de profetas, fundada por Samuel, e só assim poderiam exercer o ministério profético.
      Não seria isso, praticamente, como um primeiro seminário teológico da história?
      Os próprios profetas tinham seus discípulos, que em certo tempo lhe sucederiam, mas antes de lhe sucederem aprendiam com eles, como Elias teve a Eliseu, e Eliseu a Geazi, por exemplo.

    No Novo Testamento não é diferente, ainda é necessário o preparo e a capacitação para fazer a obra de Deus!

    E as coisas que ouviste de mim entre muitas testemunhas, as mesmas confia a homens fiéis, que sejam capazes de também ensinarem os outros.
    (1 Timóteo 2:2 KJF)

    • Os apóstolos e discípulos escolhidos e vocacionados por Cristo tiveram aula pessoalmente com o próprio Mestre durante 3 anos!
      Haveria um seminário teológico, escola de profetas, ou qualquer outra forma melhor de capacitarem-se para o ministério apostólico do que esta?
    • O apóstolo Paulo, por exemplo, em certa fase teve como tutor o mestre da Lei Gamaliel, e mesmo sendo fariseu (doutor da lei judaica), depois que converteu-se aprendeu mais sobre o Senhor com os discípulos e apóstolos, durante 3 anos também (Gl 1: 15-18),
      e logo que tornou-se capaz, também treinou vários outros obreiros que, por sua vez, capacitaram mais outros obreiros ainda (At 20:281Co 4:151Tm 3:2,10Tt 1:5-6,7-9).

    Por isso fica a pergunta: Quais motivos tem muitos obreiros de hoje em dia para desprezarem o estudo bíblico de verdade, tendo preguiça de aprender mais à fundo a Palavra de Deus (e com maturidade/entendimento)?

    Tem gente que quando vai pregar abre a Bíblia num versículo aleatório e “chutam” o que vão ensinar… 😳

    Por que muitos recusam-se a fazer cursos ou estudar em seminários, adquirir mais ferramentas de estudo com intenção de aprender mais, alegando que tudo é comércio da Palavra de Deus ou que “a letra mata”?! (1 Tim 4: 10-16)

    Não seja você também um cristão imaturo a ponto de cometer tais erros, dos quais existem 5 que são os piores!

    Vós errais, não conhecendo as escrituras, nem o poder de Deus.
    (Mt 22:29b KJF)

    Quero também destacar que, em algum momento, se antes de conhecerem a Cristo, se durante o ministério deste ou depois, não sabemos ao certo, mas tais apóstolos eram estudantes das Escrituras Sagradas!

    Doutra forma, como seria possível Pedro, considerado um simples pescador, fazer um discurso cheio de passagens das Escrituras memorizadas como fez em Atos 2, o que gerou a conversão de cerca de 3000 ouvintes?!

    Se ele não leu nem estudou nada, como poderia ter tal conhecimento? Como o Espírito Santo iria lembrá-lo das Escrituras no momento em que pregou?

    O apóstolo Paulo, homem que também possuía grande conhecimento das Escrituras, incentivava seus companheiros de evangelho que da mesma forma as estudassem e amadurecessem no ensino.

    Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.
    (2 Timóteo 2:15 ACF)

    apegue-se firmemente à fiel Palavra, da forma como foi ministrada, a fim de que seja capaz tanto de encorajar os crentes na sã doutrina quanto de convencer os que se opõem a ela.
    (Tito 1:9 KJA)

    Como podemos notar, nem toda compra/venda de produtos evangélicos consistem em comércio da Palavra de Deus.

    Nem todos são intencionados a enganar o cristão e se aproveitar de sua fé para lucro imundo, mas antes visam capacitar novas obreiros ao ministério, e a cobrança feita em alguns casos é para arcar com os custos, tanto custos financeiros como de tempo e dedicação, assim como aquisição de materiais de estudo.

Fonte: Bíblia Ensina

Postagem Original: https://bibliaseensina.com.br/comercio-da-palavra-de-deus-2-pedro-2-3/

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