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O Milênio e o Reino Eterno

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“E vi tronos; e assentaram-se sobre eles, e foi-lhes dado o poder de julgar; e vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus e pela Palavra de Deus, e que não adoraram a besta…

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Texto: Apocalipse 20 : 1 – 6

“E vi tronos; e assentaram-se sobre eles, e foi-lhes dado o poder de julgar; e vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus e pela Palavra de Deus, e que não adoraram a besta, nem a sua imagem e não receberam o sinal em suas testas nem em suas mãos; e viveram, e reinaram com Cristo durante mil anos.” (Apocalipse 20:4)

INTRODUÇÃO

Prezados irmãos:

“Milênio” é um termo latino desenvolvido pela  Teologia bíblica desde tempos remotos da Igreja Cristã. Ele é definido como um reino terreno mundial, encabeçado pela nação israelita, tendo como governante único e soberano o Senhor Jesus Cristo em pessoa, que reinará o mundo a partir de Jerusalém, a Cidade Santa, e cuja duração será de literalmente 1000 anos.

O Milênio será precedido pela volta gloriosa de Cristo com todos os seus santos, seus anjos, pondo fim à guerra abortada do Armagedom e à Grande Tribulação, e instaurando os primeiros preparativos para o evento do Reino Milenar que inclui o ‘Julgamento das Nações’ da terra (Joel 3:11-12 e Ap. 19:20,21). Zacarias, o profeta, nos esclarece sobre o retorno de Cristo à terra e os efeitos da sua aparição surpreendente:

“Porque eu ajuntarei todas as nações para a peleja contra Jerusalém; e a cidade será tomada, e as casas saqueadas, e as mulheres forçadas; metade da cidade sairá para o cativeiro, mas o restante do povo não será expulso da cidade. Então sairá o Senhor e pelejará contra essas nações, como pelejou no dia da batalha.

Naquele dia estarão os seus pés sobre o Monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o oriente; o Monte das Oliveiras será fendido pelo meio, para o Oriente e para o ocidente, e haverá um vale muito grande; metade do monte se apartará para o norte, e a outra metade para o sul. Fugireis pelo vale dos meus montes, porque o vale dos montes chegará até Azal; sim, fugireis como fugiste do terremoto nos dias de Uzias, rei de Judá; então virá o Senhor meu Deus, e todos os santos com ele.” (Zc. 14:2-5)

Isaías 29:5c e 6 fala antes de Zacarias que lhe faz eco:

“…de súbito, num instante, o Senhor dos Exércitos virá com trovões,

com terremotos, e grande ruído com tufão de vento, tempestade e labareda

de fogo consumidor.”

Em seguida, Satanás é preso (conf. Ap. 20:1-3) e o Reino Milenar se inicia sem interrupção durante um período de mil anos. A Segunda Vinda Gloriosa e Visível de Cristo para a terra é bastante ensinada na Bíblia e dentre as passagens, as mais importantes são Mateus 24:27-30 e Apocalipse 19:11-16. Esta última passagem é similar àquela lida em Zacarias há pouco. Vejamos:

“Vi o céu aberto, e apareceu um cavalo branco. O Seu cavaleiro chama-se Fiel e Verdadeiro, e julga e peleja com justiça. Os Seus olhos eram como chama de fogo, e sobre a sua cabeça havia muitos diademas. Ele tinha um nome escrito, que  ninguém sabia senão Ele mesmo. Estava vestido com um manto salpicado de sangue, e o nome pelo qual se chama é o Verbo de Deus. Seguiam-no os exércitos que estão no céu, em cavalos brancos, e vestidos de linho fino, branco e puro. E da Sua boca saia uma espada afiada, para ferir com ela as nações. Ele as regerá com vara de ferro. Ele mesmo é o que pisa o lagar do vinho do furor e da ira do Deus Todo-Poderoso. No manto, sobre a Sua coxa tem escrito o nome: Rei dos Reis e Senhor dos Senhores…”  (19:11-16)

Vemos de um modo maravilhoso que esta passagem de Apocalipse liga várias outras do VT. Inclui do Salmo 2:9, a expressão, “…tu as regerás com vara de ferro…”; inclui de Daniel 10:5-6 e de Apocalipse 1:13-16, a visão do Filho do homem na sua expressão de majestade; de João 1:1, o termo “o Verbo de Deus”;  de Isaías 63:1-3,4 e Joel 3:13,  a expressão, “…Ele mesmo é o que pisa o lagar do vinho do furor e da ira de Deus…”.

Assim será estabelecido o Reino Milenar. Agora nos deteremos nas questões interpretativas que fazem do Milênio uma grande arena de combate entre os intérpretes evangélicos, criando razoável confusão à mente do crente comum e certamente dos estudantes do assunto. Posteriormente falaremos do Milênio do ponto de vista futurista procurando ver suas características como a Bíblia as descreve.

O  REINO MILENAR:  LITERAL  OU  SIMBÓLICO?

O pomo da discórdia entre os milenistas em geral é exatamente a aceitação de um reino terreno futuro de 1000 anos, no qual Jesus Cristo seja o Regente único e universal. Para o amilenismo,  o ‘reino milenar’ é totalmente simbólico.

Champlin e Bentes dizem acerca do amilenismo:

“…a princípio o amilenismo foi considerado uma heresia; mas gradualmente foi sendo aceito, especialmente através das influências de Agostinho já no Séc. IV d.C. Agos tinho rejeitou o pré-milenismo tachando-o de literal e carnal demais e espiritualizou o seu conceito. O amilenismo tornou-se a posição geralmente adotada pela Igreja Católica Romana e chegou mesmo a ser defendida pela maior parte dos Reformadores.”

Para o pós-milenismo, o ‘reino milenar’ é algo mais ou menos atual ou a ser implantado pela própria Igreja, no decurso natural da História. Nesta concepção do ‘reino’, não haverá um Messias reinando literal e visivelmente na terra, mas espiritualmente através da Sua Igreja que, em marcha sempre vitoriosa, experimentará as glórias de seu crescimento e de sua influência neste mundo, até o retorno glorioso de Cristo.

Champlin diz que

“as duas guerras mundiais quase destruíram completamente este ponto de vista róseo. Mas a idéia prossegue, hoje em dia, essencialmente em obras literárias e então em algumas denominações ou sistemas religiosos. Alguns poucos sonhadores ainda não desapareceram.”

Para o premilenismo, porém, o ‘reino milenar’ não pode ser menos que literal. As bases Escriturísticas que invocamos para esta concepção, são as numerosas profecias acerca deste Reino, cuja linguagem e cuja reivindicação exigem nada menos que a existência real de um Reino jamais visto até hoje, na face da terra.

Sobre o Pré-milenismo ainda Champlain e Bentes dizem:

“…O pré-milenismo predominou dentro do pensamento escatológico da Igreja até surgirem em cena os teólogos alexandrinos (século III d.C.). Orígenes e Clemente sugeriram um ensino simbólico ou alegórico acerca do mil anos… Uma Igreja exausta, que havia esperado ardorosamente mas em vão, pelo imediato retorno de Cristo (Séculos I e II), deixou-se influenciar facilmente por essa perda de coragem e abandonou a posição pré-milenar…O pré-milenismo voltou a ser aceito nos dias posteriores à Reforma Protestante, de tal maneira que, atualmente é uma doutrina comum entre os protestantes e evangélicos.”

As bases textuais invocadas pelo premilenismo são fundamentalmente três:

A imagem do sonho de Nabucodonosor no cap. 2 de Daniel

A descrição milenar de Apocalipse 20:1-6

Numerosas profecias do VT que tratam deste Reino terrenal

Deixemos que a própria Escritura fale por si só ao mesmo tempo em que simplesmente a olhemos indutivamente, sem contudo transigirmos da regra hermenêutica.

O  REINO MILENAR  E  A  IMAGEM  DO  SONHO

Os intérpretes não pré-milenistas sempre terão grande dificuldade aqui. Para eles deve ser extremamente constrangedor verificar que não podem, em sã consciência hermenêutica, aplicar em 10 ou 15% do sonho profético de Nabucodonosor, uma interpretação simbólica quando todo o restante é perfeitamente literal, porque histórico.

Neste sonho nós vemos uma imagem imponente que é vista de pé sobre um grande vale. Toda ela toma a atenção surpresa de Nabucodonosor, o grande rei babilônico. Alguns intérpretes acham que a imagem que fez posteriormente no Campo de Dura, mencionada em Daniel 3, foi resultado da forte impressão da imagem do seu sonho no cap. 2. Aquela imagem grandiosa era sui generis em muitos aspectos.  Era composta de vários metais e dividida em partes, indicando uma seqüência e uma mensagem intrínsecas.

Sua cabeça era de ouro, seus braços e tórax de prata, seu ventre e quadris de bronze, suas pernas de ferro e seus pés em parte de barro e ferro e por fim um pedra lançada das alturas se dirige aos pés, desfazendo a estátua em pó e transformando-se em seguida uma grande montanha que “…encheu toda a terra.” (Dn. 2:35). Todos nós, conhecedores da história e da Escatologia bíblica, não ignoramos o fato que este sonho profético já se cumpriu na história, pelo menos até às pernas de ferro. Restam somente aos pés misturados de ferro e barro e a pedra, terem seu futuro cumprimento.

Deus revelou a Daniel o que representava esta grande imagem e qual seria a sua mensagem para Israel, para a Igreja e para o mundo. Vejamos:

O significado geral, conforme Dn. 2:36-43, é que a imagem, que é humana, toda ela representa  a força e a realidade do domínio humano neste mundo. Este domínio  é representado pelas bestas selvagens, no capítulo 7 de Daniel, porque para Deus, o Governo Humano é bestial e não humanitário, o que de fato é o que ocorre.

Especificamente, a imagem do sonho representa o poderio mundial humano durante a era chamada na Escritura de “…tempo dos gentios…” conforme  Lucas 21:24, Romanos 11:25(há algo relacionado aqui).

Considerando os caps. 2 e 7 de Daniel, quando comparados, vê-se que a cabeça de ouro corresponde ao Grande Império Babilônico, o tórax e os braços de prata ao Império Medo-Persa, o ventre e os quadris de bronze ao Império Grego, e as pernas de ferro ao Império Romano. Todos estes Impérios mundiais são históricos e seguiram na mesma seqüência em que são apresentados nestes capítulos de Daniel. Os nomes destes Impérios são citados por Daniel, quando lhe era contemporâneo o Império Babilônico, e por conseguinte, os outros ainda não existiam e levariam muito tempo para sê-lo, inclusive o vizinho Império Medo-Persa.

Como o último grande Império Mundial foi  Roma, e ainda não se levantou outro, conclui-se que os outros dois restantes, o dos pés misturados e o da pedra que se fez grande, são evidentemente futuros. Podemos considerar nossa era presente, desde a queda do Império Romano em 476 d.C., como pertencendo ainda a esse Grande Império do passado, pois nossa forma de governo ocidental e digamos “cristã”, opera dentro das diretrizes jurídicas, sociais e políticas oriundas daquele.

Leve-se também em conta, que o último império humano, o do futuro anticristo,  necessariamente tem de se originar do antigo Império Romano, que, como a cauda de um cometa que já passou, ainda mantém seus vestígios até o presente. O Império do anticristo, portanto, renasce das “cinzas” ocidentais do Império Romano clássico, porque Daniel diz em 2:41, que .“…contudo haverá nele alguma coisa da firmeza do ferro…”

É natural, portanto, que todos os intérpretes esperem, hermeneuticamente, que os próximos Império Mundiais, o do anticristo tanto quanto o de Cristo, representados nos pés e na pedra, respectivamente, sejam literais da mesma maneira em que foram os outros. Não há absolutamente nada na imagem que traga a suspeita, a mais leve possível, de que sua última parte, os pés, e a grande pedra que é lançada dos céus, não sejam reinos literais. Vejamos o que Daniel 2:44 nos diz de modo a encerrar esta questão:

“Mas nos dias destes reis, o Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído. Este reino não passará a outro povo, mas esmiuçará e consumirá todos estes reinos, e será estabelecido para sempre”.

Como podemos observar no relato de Daniel, a linguagem descritiva dos impérios que hoje são históricos é a mesma, sem sombra de dúvida, daquela usada para descrever o reino dos ‘pés’ e o reino da ‘pedra’. Não há também nenhuma divisão no texto que sugira uma forma interpretativa diversa de uma aplicação literal. A descrição seqüencial é uma só. Imaginar que os últimos dois reinos sejam simbólicos, quando os anteriores foram cumpridos literalmente na história, e estão na mesma figura que é a imagem, resulta em simploriamente violar-se o texto e as regras hermenêuticas e fazê-lo dizer o que arbitrariamente se deseja.

Os intérpretes deveriam orientar toda a interpretação de outros textos proféticos por este de Daniel, pois além de ser o mais completo, define claramente a literalidade do seu cumprimento. Fazer uma interpretação inversa é apor-se à mensagem original e autêntica do livro de Daniel e relegá-la a uma aplicação inócua.

Muitos intérpretes alheios ao pré-milenismo têm tentado cronologizar a imagem do sonho de Nabucodonosor, retrospectivamente na história, a uma visão puramente preterista. Mas uma superficial análise nos mostra a incongruência de datas e tentativas de acomodação histórica, ao mesmo tempo em que negam a literal interpretação do próprio Daniel, que dá o nome histórico destes Impérios quando eles ainda não existiam.

Há certamente um pressuposto por trás dessas tentativas. A desconfiança incrédula de que Daniel não poderia ter predito o futuro do “tempo dos gentios” em relação a Israel, seu povo, resulta da influência racionalista dos séculos XVIII e XIX, especialmente depois da teologia liberal de Schleiermacher, que a tudo imprimiu uma interpretação espiritualista. Todo o século XIX foi contaminado e jogou suas águas sujas no Século XX, tão sujas, que resultou numa outra reação racionalista conhecida como a Neo-ortodoxia. Este é o caso de racionalistas modernos confrontarem os racionalistas tradicionais do Século XIX. Daí para cá, toda a teologia racionalista continua sua luta modista e contraditória, basicamente negando a realidade da intervenção divina literal na história humana.

Ao contrário, o exame simples da Escritura, operado numa atitude de pura fé cristã, nos leva a reconhecer a literalidade desses acontecimentos, e do fato que Deus, sendo espiritual e transcendente, age muito à vontade no meio humano e físico, não havendo qualquer obstáculo à Sua soberana intervenção. Acreditando assim, e evidências temos para isto, nenhuma dificuldade encontraremos para crer no que a Palavra diz acerca desses eventos futuros. Ainda mais: descobriremos que os autores proféticos também viam da mesma maneira simples e direta. Não temos, evidentemente, autorização e nem encorajamento para pensarmos de outra forma.

Surpreendo-me com um descrente que enxerga o que o amilenismo recusa ver. Talvez caiba aqui o testemunho de um historiador católico brasileiro sobre o que ele diz acerca do Milênio, o Reino de Cristo, caracterizado por Sua Justiça e Eqüidade. Gustavo Barroso, autor da História Secreta do Brasil, no seu 2º volume, conclui o último capítulo à página 378, um tanto cético com a política humana, depois de versar sobre as atividades da Maçonaria e da Bucha no Brasil, dizendo o seguinte:

“Quem restaurará a autoridade no Brasil? Não o sabemos; sabemos, porém, que no mundo somente poderá ser restaurada pelo reinado social de Nosso Senhor Jesus Cristo. O Cristo Rei será a salvação de todos os povos. Os homens não passam de instrumentos da Sua Vontade.”

O  REINO MILENAR  E  APOCALIPSE 20

No meu entender, Daniel caps. 2 e 7, são suficientes para encerrar a questão sobre um reino terrenal futuro de Cristo. Mas a revelação progressiva reservou para nós descrições mais detalhadas sobre este Grande período do futuro, o Eldorado da civilização Israelita-cristã.

Muito se tem dito sobre o simbolismo do Milênio ao ponto de fazer-nos suspeitar da simples falta de fé na Palavra de Deus ou, no mínimo, de pura impostação na defesa de uma posição escatológica.

É perfeitamente natural que a Palavra de Deus silenciasse sobre o Milênio antes de ser este explicado com mais detalhes cronológicos no Apocalipse. Não somente o Milênio, mas todos os detalhados eventos da Septuagésima Semana de Daniel que envolvem os caps. 4-19 do Apocalipse, e mais os eventos pré-eternos, todos estes são revelados em detalhes apenas aqui. Nunca o foram antes. Se apenas João falasse sobre o Milênio e não houvessem outras informações, seria de estranhar tal indicação. Mas, a surpreendente revelação do Apocalipse fala de muitos outros fatos que irão ocorrer na era escatológica em detalhes jamais concebidos antes pelas Escrituras anteriores. Deste modo não se deveria encarar com estranheza a menção do Milênio com seus detalhes em Apocalipse 20, nem se saltar para o simbolicismo com o fito de explicar algo aparentemente inaceitável.

O amilenismo não somente nega o milênio terrestre mas também fá-lo inaceitável para a mente racional cristã. Negar é uma coisa. Dizer porém que algo é incrível ou irracional é outra bem diferente. O amilenismo, portanto, diz que é estranho esperar-se um reino terreno de Cristo que dure mil anos, pois isso seria equivalente a se pensar em um ‘reino carnal’ ou ‘material’ imbuído de um conceito dualista fortíssimo. Caso fosse tão carnal este futuro reino, eu pergunto, não seria carnal no mesmo sentido, o corpo material, embora glorificado, de nosso Senhor Jesus Cristo quando ressucitou dos mortos?

O amilenismo insiste em que, todo o texto de Apocalipse 20:1-6 é inteiramente simbólico e deve ser entendido como uma descrição do Reino Eterno de Cristo, após sua Vinda gloriosa. Novamente, como dito em outro sub-tema, a escola simbolicista (seja ela qual for), não dá nenhuma importância aos detalhes, seqüência de acontecimentos ou outras categorias quaisquer contidas no texto apocalíptico. Interpretando-se deste modo, pode-se dizer de um mesmo texto, muitas coisas bem diferentes e até contraditórias entre si. Por exemplo, do texto de Apocalipse 13:18 sobre o número ‘666’, alguém pode dizer que trata-se de um código bancário do sistema capitalista atual; outro diz que é de um dos presidentes de potência mundial que virá a tomar o poder; outro pode dizer que é apenas um número místico relacionado com a imperfeição humana e só.

O futurismo pré-milenista e pré-tribulacionista não nega de forma alguma que existam símbolos e figuras no Apocalipse. Por exemplo, o dragão do capítulo 12 é uma figura de Satanás assim como o filho é uma figura de Cristo; igualmente a mulher é uma figura de Israel que o concebeu. Mas negar realidades futuras que estão por trás dessas figuras é cometer no mínimo omissão escandalosa sem motivo que justifique.

Como podemos interpretar Apocalipse 20:1-6? O amilenismo diz que não somente a chave e a cadeia de Apocalipse 20:1 são simbólicos, mas a própria prisão de Satanás. Deveriam interpretar sim, que a “chave” e “a grande cadeia” são figuras de uma prisão literal e real. Mas não o fazem assim. Seguindo sua dinâmica, quando interpretassem Jesus como o “pão da vida” deveriam considerar figura não somente o “pão” mas também o próprio Jesus que está por trás do pão ou nele representado. Praticam portanto uma contradição hermenêutica.

Quais são as figuras (símbolos) de Apocalipse 20:1-6?

a chave do abismo

a grande cadeia

o “amarrar” significando claramente algo real como confinamento, etc.

A figura na Bíblia, conforme o entendimento hermenêutico, tem a função de facilitar a compreensão de algo espiritual e real, que é muitas vezes literal, por algum objeto conhecido do cotidiano humano. Teríamos muita dificuldade de compreender as coisas espirituais se não fossem facilitadas pelas idéias que as figuras nos sugerem. Ao mesmo tempo, observamos que, sendo as figuras ou símbolos, algo limitado ao escopo humano, portanto incompleto, imperfeito,  o seu emprego deve ser entendido como a tentativa de explicar algo muito maior do que a própria figura em si mesmo sugere. Cada figura bíblica, portanto, expressa uma verdade superior a ela mesma e isso deve sempre ser levado em conta. As figuras da prisão de Satanás, da Nova Jerusalém, da sua descrição em Apocalipse 21, demonstram simples e inusitadamente que algo muito maior está por trás dos elementos figurativos usados ali. Em outras palavras, o fundo literal é esmaecido pelo emprego das figuras, pois em nosso conhecimento agora, não existe coisa alguma neste mundo ou fora dele que se compare àquilo e possamos assim compreendê-lo em sua inteireza. O emprego da figura na Bíblia requer muito mais que nosso pobre e limitado raciocínio: requer nossa total instintividade para uma tentativa de aproximação da realidade insondável por trás dela mesma. Acho, obviamente, o emprego da figura na Bíblia, um maravilhoso método de Deus que dá asas a nossa necessidade de imaginação das coisas que são grandiosas e ao mesmo tempo misteriosas.

Vejamos agora o que é literal no texto de Apocalipse 20:1-6, o que é muito fácil de

reconhecer:

A descida do anjo (vs.1);

a prisão de Satanás; aqui Jesus que revela a João diz que “o dragão, a antiga serpente, que é o diabo e Satanás…” (20:2) mostra exatamente o que é figura e o que é literal.

o seu lançamento no abismo e seu confinamento por 1000 anos;

a suspensão do engano das nações por Satanás (vs. 3);

a sua soltura “…por um pouco de tempo…” (20:3) ;

a ressurreição dos crentes da Tribulação que “…reviveram e reinaram com Cristo durante mil anos.” (vs.4);

a continuação dos mortos perdidos no seu estado intermediário (vs.5);

a diferença das duas ressurreições: a 1ª  e a 2ª (vs.5);

a promessa do reino e sacerdotalismo universal para todos os crentes no vs.6.

Podemos observar que a linguagem de todo esse texto é compreensivelmente literal, pois vai narrando o acontecimento futuro, utilizando apenas três figuras. Observemos que no versículo 7, novamente se repete o que está no vs.3: “Quando se completarem os mil anos, Satanás será solto de sua prisão…”.  A linguagem dos primeiros três capítulos do Apocalipse que descreve as coisas passadas,  é a mesma aqui quando descreve os eventos do futuro. O amilenismo não nega que o três primeiros capítulos são históricos em pelo menos uma aplicação. Algo assim repetido, quase com as mesmas palavras, não está descrevendo figurativamente mas sim literalmente. Existe uma unidade em todo o livro do Apocalipse quanto à sua linguagem, de modo que ninguém pode concluir que até o cap. 3 tudo é literal, mas do 4 em diante tem de ser simplesmente simbólico até o fim do livro. Um conceito simbolicista do livro de Apocalipse deixa pendente nossa alma de convicções escatológicas e assaz insatisfeita por tamanho reducionismo. Perdoe-me o hiperbolismo, mas é como se um livro inteiro, para o amilenismo, se reduzisse a uma ou duas lições importantes sobre a volta de Cristo e pronto.

O REINO MILENAR  E  AS  PROFECIAS DO AT

Deixei este sub-tópico por último por ser extremamente significativo e não por que não merecesse destaque. Numerosas profecias do AT falam de uma época dourada no futuro da história da humanidade. Esta época é descrita como sendo um tempo de justiça e paz como nunca houve na história de guerras e ódios do homem sobre a terra. Aliás, todos os eventos escatológicos são eventos superlativos em relação a tudo que já aconteceu.

Entre essas numerosas profecias desejo salientar as mais importantes de todos os profetas que falaram desse reino futuro, israelita, mundial e terreno. Desejo salientar nesta parte o aspecto terrenal mas não carnal deste Reino. Lemos no Profeta Isaías:

“Nos últimos dias se firmará o monte da casa do Senhor no cume dos montes,  e se engrandecerá por cima dos outeiros; concorrerão a ele todas as nações.Virão muitos povos, e dirão: Vinde e subamos ao monte do Senhor, à casa do Deus de Jacó. Ele nos ensinará o que concerne seus caminhos, para que andemos nas suas veredas. De Sião sairá a Lei, e de Jerusalém, a Palavra do Senhor…Estes converterão suas espadas em arados e as suas lanças em podadeiras. Não levantará espada nação contra nação, nem aprenderão mais a guerra. Vinde ó casa de Jacó, andemos na luz do Senhor.” (Is. 2:2-5)

De um modo notável, para o cuidadoso estudante de Escatologia, tem-se uma réplica profética desta passagem, em quase exatas palavras, em Miquéias 4:1-4. É quase espantoso verificar esta similaridade. Sabemos que Miquéias foi contemporâneo de Isaías, tendo começado o seu ministério aproximadamente 15 anos depois. Podemos especular como eles comungavam da mesma esperança milenar!

Observando outras passagens sobre o aspecto terrenal do Milênio vejamos o que Isaías 4:2,3 nos declara:

“Naquele dia o Renovo do Senhor será cheio de beleza e de glória, e o fruto da terra excelente e formoso para os que escaparem de Israel. Aquele que ficar em Sião e permanecer em Jerusalém será chamado santo…”

Ainda Isaías 7:22b:

“…Manteiga e mel comerá todo aquele que ficar de resto no meio da terra.”

Em Isaías 11:4 temos duas expressões que aplicam o evento milenar à terra:

“…e repreenderá com eqüidade os mansos da terra.” Ferirá a terra com a vara da sua boca, e com o sopro dos seus lábios matará o ímpio” (11:4)

Permita-me um comentário sobre este verso: o amilenismo chama a este milênio de um “reino carnal”, portanto incabível nas Escrituras. Pergunto: se o Milênio é apenas uma figura do Reino celestial e eterno, como poderão enquadrar na mesma “terra” simbólica, o manso e o ímpio? Sabemos que o “manso” pode muito bem se achar no céu, mas o ímpio num reino celestial a ser atingido pelo sopro irado de Cristo, isto sim é que é inaceitável! Além disso, os “mansos” aqui estão na terra e não no céu.

Em Isaías 14:1-2 lemos:

“O Senhor se compadecerá de Jacó; uma vez mais elegerá a Israel e os porá na sua própria terra. Ajuntar-se-ão com eles os estrangeiros e se achegarão à casa de Jacó. Os povos os receberão e os levarão aos seus lugares, e a casa de Israel os possuirá por servos e por servas, na terra do Senhor. Cativarão aqueles que os cativaram e dominarão aqueles que os oprimiram.”

Isto nunca aconteceu a Israel até hoje. É óbvio que se trata do futuro. Todas estas expressões sobre a existência e o movimento da nação israelita naqueles dias somente encontram sentido caso o Reino Milenar ocorra neste planeta. Por mais que se espiritualizem os textos, tanto mais se cometem absurdos hermenêuticos resultando em palavras e frases sem nexo.

O  REINO MILENAR  E  SEUS  PREDICADOS

O Milênio será como o renascer da era do Jardim do Éden. Deus, através de Seu Filho Jesus Cristo mostrará ao mundo como seria a vida humana se o homem tivesse evitado o pecado e permitido de boa vontade que Deus reinasse sobre eles. Enquanto os reinos e grandes Impérios mundiais são comparados às bestas selvagens da terra, o reino de Cristo é que é verdadeiramente humano. Neste Grande Reino futuro os homens se sentirão plenamente seguros e não haverá temor do mal.

A grande diferença para o Reino Eterno de Cristo é que o Reino Milenar  será na terra e ainda existirá uma vida natural,  não glorificada. Isto quer dizer que os homens daquela geração estarão ainda vivendo em seus corpos naturais, sujeitos ao envelhecimento e a todas as limitações humanas, porém com uma diminuição substancial dos percalços e das dificuldades que o pecado trouxe à raça. Também haverá morte, mas a vida natural dos homens experimentará uma sobrevida jamais sabida desde a Promessa. Todas essas características deste inédito Reino futuro são sublinhadas pela Palavra de Deus em profecias majestosas e surpreendentes que simplesmente nos fazem desejar a chegada desse tempo radioso para o consolo da raça humana

Entre as características do Milênio como a Bíblia as apresenta, citamos as que se encontram no texto de Miquéias 4:1-7 para começar:

O engrandecimento do Templo do Senhor em Jerusalém (vs. 1; Is. 31:5; 54:5; 60:7b,13).

O afluxo dos povos para Jerusalém com o fim de aprender a Palavra do Senhor (vs. 1,2). Ver também Is. 2:3; a terra se encherá do conhecimento do Senhor conforme Is. 11:9b; 54:13;

Juízo e Justiça no exercício da autoridade, num alcance imediato e amplo até às partes mais remotas da terra (vs. 3a.); (ver também Is. 11:3-5; 32:1;)

Desarmamento mundial por completo (vs. 3b)

Desaparecimento das hostilidades internacionais (vs. 3c)

Paz e Segurança sob um Governo manso mas vigilante e poderoso (vs. 4). Em contraste, a ‘pax romana’ era conseguida à custa da espada férrea de Roma, impondo a escravidão e forçando os povos aos seus caprichos imperiais. O Reino de Cristo, embora com todo o poder, governará os homens de maneira a conquistá-los ao Seu amor. Contudo, todo o mal será rechaçado justiceiramente. (Ver também Is. 14:30, 32; 32:16-18; 33:22; 54:13b; 60:18; 66:12a)

Um Reino terreno a partir do Monte Sião em Jerusalém, tendo o Senhor Jesus Cristo como Único Governante mundial, assentado no trono de Davi seu pai, sob quem estão sujeitos todos os governantes intermediários (vs. 7b; Ver também Is. 16:5; 40:11)

Outras características adicionais em outras passagens podem ser alistadas e consultadas como segue, mas infelizmente não poderemos lê-las a bem do tempo disponível:

Engrandecimento na nação israelita perante os povos (Is. 27:5,6; 49:22-23; 60:3-6; 62:1-4; 66:12b).

Aumento extraordinário da população israelita (60:22; 65:9).

Existirá uma atitude espiritual de santidade em Israel e em todos os povos (Is.35:8; 60:21; 61:6a; 62:12).

O Senhor consolará o Seu povo (Is. 57:18,19; 58:11-12,14; 66:13).

Israel será uma benção para todos os povos (Is. 66:10-11).

Harmonia natural entre os reino animal e o homem (Is. 11:6-9; 35:7b, 9; 43:19-20; 65:25).

A terra produzirá fruto formoso e excelente (Is. 4:2; 55:13; 65:21).

Haverá dia e noite; e manifestações de nuvem de glória de dia e fumaça e fogo chamejante durante a noite (Is. 4:5).

Será uma época de esfuziante alegria e júbilo (Is. 9:3,4; 28:5; 35:10; 51:3c; 51:11b; 52:9-10; 55:12; 57:19; 60:15; 61:10-11; 65:13-14,19; 66:14).

Haverá um grande interesse dos povos pela nação israelita (Is.11:10; 25:3,6; 27:13c; 60:10,14; 61:5), inclusive trazendo presentes ao Senhor (Is. 18:7) e vindo a Jerusalém para adorar ao Senhor (Is. 66:23).

Reconhecimento da eleição de Israel por toda a humanidade (Is. 49:26; 61:9).

As nações que não servirem a Israel serão assoladas (Is. 60:12; 66:24).

Ocorrerão grandes transformações na geografia do globo terrestre (Is. 11:15-16; 32:15-16; 35:1-2, 6—7; 41:18-20; 51:3).

Jerusalém será primorosamente edificada com pedras preciosas (Is.54:11-12).

Haverá estabilidade na existência humana (Is. 33:5-6) .

Não existirão enfermidades (Is. 33:24).

Haverá abundância de despojos (Is. 33:23; 60:16-17; 61:6b-7), e as portas de Jerusalém ficarão continuamente abertas para receber a riqueza das nações (Is. 60:11).

A morte existirá, mas aquele que morrer aos 100 anos morrerá jovem (Is. 65:20, 22).

Admirando tamanhas obras de Deus em favor do Seu povo Israel, no futuro milenar, podemos romper com entusiasmo junto a Isaías que diz:

“Desde a antigüidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com olhos se viu um Deus além de ti, que trabalhe para aqueles que nele esperam.”  Is.  64:4

O  REINO MILENAR  E  SEUS  OCUPANTES

Poderíamos perguntar neste ponto sobre os que entrarão no Milênio e em que estado espiritual? Creio, em primeiro lugar que os judeus convertidos remanescentes da grande Tribulação entrarão no Milênio como é constatado nas seguintes passagens: Is. 7:22b; 45:17.

Apocalipse 1:7 diz que os judeus verão no dia do Retorno glorioso de Cristo, Aquele que traspassaram. Combinando com as próprias palavras de Cristo em Mateus 24:30 temos:

“Vede, ele vem com as nuvens e todo o olho o verá, até mesmo os que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Sim . Amém…Então aparecerá no céu o sinal do filho do homem, e todos os povos da terra Se lamentarão e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, Com poder e grande glória.”

Esta passagem é uma simbiose de algumas citações proféticas do VT encontradas em Salmo 22:16, Isaías 53:5 e Zacarias 12:10, cujo teor tocantemente emotivo e profundamente angustioso citamos aqui:

“Sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém derramarei o Espírito de graça e de súplicas. Olharão para mim, a quem traspassaram e o prantearão como quem pranteia por seu filho único, e chorarão amargamente por ele, como se chora pelo primogênito.”

Isaías nos fala em 10:21-22 sobre a natureza deste grupo judaico remanescente:

“Os restantes se converterão, os restantes de Jacó, ao Deus forte.

Ainda que o teu povo, ó Israel, seja como a areia do mar, só um resto dele

se converterá. Uma destruição está determinada, transbordando de justiça.”

Qual é o judeu piedoso que ao ler estas palavras não sente tremer a sua alma indagando a si mesmo se pertencerá a este remanescente? Que tremor de desespero não é a incerteza de se achar fora deste grupo privilegiado! Que penas, que sofrimentos a alma do povo de Israel tem passado e ainda passará para cumprir a Palavra do Senhor! Antes se convertam a Jesus, antecipando-se à “consumação dos séculos”. Outras passagens acerca desse remanescente são Is. 11:11; 45:25; 51:11.

E acerca dos gentios? Estes também, em sua esmagadora maioria serão convertidos, ou na transição ou no início do Milênio, logo que saibam o que Cristo, como Rei reivindica da parte deles. Não é demasiado especularmos sobre os efeitos das pragas da Grande Tribulação sobre essa gente que escapará ilesa de tão terrível e aterrorizante período. Pelo que nos fala o livro de Apocalipse acerca do efeito destruidor das pragas sobre a vida humana, podemos desconfiar que cerca de 2/3 da humanidade será destruída. Os sobreviventes estarão obviamente perplexos ao verem de perto tudo isto. A impressão que os fenômenos divinos lhes causará é simplesmente inenarrável. Creio que isso é o bastante para que entrem no Milênio e abracem a Jesus Cristo como o Seu Salvador pessoal. Terão tido conhecimento do Evangelho durante a Tribulação e terão convicção de que somente o poder de Deus poderia fazer tudo aquilo além de lançar o anticristo e o falso profeta no Lago de fogo. É certo que haverá rebelião humana que por si só é uma característica predominante da Grande Tribulação. Mas quem dentre os gentios, entrar no Milênio, o fará certo de que não poderá escapar dAquele que agora dirige completamente todo o rumo da humanidade. Assim reconhecerão a Cristo ou morrerão por ocasião do Juízo das Nações.

E onde fica a Igreja nesta dispensação milenar? Lemos em Apocalipse 20:4c:

“…reviveram e reinaram com Cristo durante mil anos.”

O  REINO MILENAR  E  A  ETERNIDADE

Após o Reino Milenar, como diz Apocalipse 20:7, Satanás será solto e por breve tempo conseguirá lograr ouvidos da geração contemporânea para o seu engano desesperado. Numa última tentativa de quem encarna o cúmulo da ambição e do orgulho, ele tentará enfrentar o poder majestoso e eterno de Cristo, como um morto que dá o último suspiro de vida. Este enfrentamento é indicado no Apocalipse como ‘Gogue e Magogue’, e tudo indica que outra vez a Rússia daquele tempo será o ‘testa de ferro’ do ataque de Satanás. Porém ele será vencido definitivamente e daí para frente conhecerá o lugar apropriado do seu eterno e odioso destino (Ap.20:9b,10).

Logo a seguir vem o Grande Julgamento do Trono Branco, no qual Deus o Pai se assentará e tomará a atenção universal de todos os vivos e de todos os mortos, nesse momento ressurretos para a sua perdição, conforme nos é descrito no final do cap. 20 de Apocalipse. A ressurreição que ocorre aqui é a segunda, a dos perdidos que serão lançados juntamente como a morte e o inferno, no Lago de Fogo. Esta expressão simbólica quer dizer certamente algo muito maior do que podemos imaginar como um ‘lago de fogo’. É alguma coisa nos limites do irracional que é impossível à mente humana apreender. Nesse ponto a Justiça Universal divina será vindicada e cumprida cabalmente contra toda e qualquer injustiça havida no Universo. A Santidade e a Justiça Divinas serão consumadamente satisfeitas e o Nome grandioso de Deus será plenamente glorificado.

A seguir o Apocalipse nos fala dos novos céus e nova terra. É pura especulação se Deus há de modificar apenas a superfície do planeta que ora habitamos ou se haverá uma substituição total do astro. Seja o que for, é algo que demanda o poder cabido apenas a Deus. Nesta ocasião é manifesta a glória da Cidade Celestial, a chamada Santa Jerusalém que desce do céu, no espaço, e serve de habitação a todos os santos de Deus. Neste ponto, acabarão todas as distinções práticas havidas entre os judeus e os gentios, que até então   foram tratados no Plano de Deus de uma forma diferenciada. No limiar da eternidade dos remidos, só haverão remidos e salvos pelo sangue do Cordeiro. Não teremos outro título. Não pertenceremos a outro grupo. Nunca mais haverá dois grupos. Toda a “…família no céu e na terra…” como Paulo diz aos Efésios 3:15, será a única realidade para todo o sempre.

As palavras finais dos dois últimos capítulos do Apocalipse deixam mais no ar do que nossa mente pode absorver. Tão grandioso será aquele novo estado  dos santos que palavras humanas falham em descrever. Coisas belíssimas e uma situação de incontido gozo e extravasado júbilo nos absorverão numa êxtase eterna. E Cristo será sempre o centro do nosso louvor por causa do Seu amor eterno para conosco. Não podemos e não devemos senão esperar pacientes e absortos, espiritualmente tomados pelo encanto d’Aquele glorioso Dia que nunca, nunca mais terminará. Como diz o hino:

“Oh!  Que dia faustoso esse dia há de ser…”

Quem jamais pode garantir que todos estes grandiosos acontecimentos tomem lugar na história da humanidade? O Senhor diz, através do profeta Isaías:

“Buscai no Livro do Senhor e lede: nenhuma destas coisas falhará, nem uma nem outra faltará. Pois a Sua própria boca o ordenou, e o seu Espírito  mesmo as ajuntará.”  (Is. 34:16)

CONCLUSÃO

Diante de fatos tão maravilhosos que o futuro nos destina pela graça de Deus, somos conclamados pelas solenes exortações da Escritura a voltar nossos olhos em fé e esperança para uma atitude de alerta e vigilância. Temos observado como muitos sinais gerais e específicos tomam lugar em nossa época, assim como cenários são preparados para os acontecimentos do porvir.

Dr. Walvoord, no seu livro Armagedom nos diz:

“Pela primeira vez na história todos os fatores estão presentes para o cumprimento da profecia relacionada às tendências religiosas e aos eventos do fim dos tempos. Somente na nossa geração o reavivamento de Israel, a formação de uma Igreja mundial, o aumento do poder da religião muçulmana, o aumento do ocultismo e a difusão mundial da filosofia ateísta estiveram presentes ao mesmo tempo, compondo um cenário dramático para o cumprimento final da profecia…”.

Eis porque a profecia é importante para a Igreja. Quão assombrosamente edificante é o estudo da profecia bíblica! Quanto bem faz à nossa alma! Quão ricamente nos alimenta! Paulo diz aos tessalonicenses na primeira epístola cap. 5:20, “…não desprezeis as profecias…” , e João, o apóstolo amado nos diz em sua primeira carta cap. 3:3:

“E todo o que nele tem esta esperança, purifica-se a si mesmo, como também Ele é puro.”

Enquanto aqui estivermos, devemos servir ao Senhor em santidade de vida mantendo sempre à mente e ao coração, um cuidado zeloso pela sua Vinda, em especial pelo arrebatar da Sua Igreja, ápice sublime da nossa Era  e protótipo dos demais  acontecimento escatológicos que diz respeito à nossa maior ventura, desde agora. Jesus nos diz através do apóstolo João, entre as últimas palavras do Apocalipse:  “Quem é injusto, faça injustiça ainda; quem está sujo, suje-se ainda; quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, santifique-se ainda.” (Ap. 22:11)

Que mais faria Deus maravilhosamente em nosso favor que não o tenha planejado ou idealizado? Diz Deus, na boca de Isaías, considerando como feito aquilo que ainda virá:

“Que mais se podia fazer à minha vinha que eu não lhe tenha feito?” (Is.5:4)

E ainda diz mais:

“Portanto continuarei a fazer uma obra maravilhosa no meio deste povo, uma obra maravilhosa e um assombro…” (Is. 29:14)

Ao Senhor Nosso Deus e ao Seu Cristo, pelo Seu fantástico e maravilhoso Plano salvador, a Glória pelos séculos dos séculos, Amém.

BIBLIOGRAFIA

BARROSO, Gustavo, História Secreta do Brasil – Vol. II, s/Editora, aprox. 1940, s/local, s/ outras indicações (cópia)

BLOOMFIELD, Arthur E., Antes da Última Batalha – Armagedom, Ed. Betânia, Belo Horizonte, 1981, 1ª Ed., 219p.

CHAMPLIN, R.N., e BENTES, J.M, Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, São Paulo, Candeia, 3ª ed., 1995.

GILBERTO, Antonio, Daniel e Apocalipse, CPAD, Rio de Janeiro, 1994, 9ª Ed., 183p.

GRIER,   W.J, O Maior de Todos os Acontecimentos, Luz para o Caminho, São Paulo, 1987, 1a ed., 143p.

HUNT, Dave, Quanto Tempo nos Resta?, CMN, Porto Alegre, 1993, 1ª Ed., 310p.

ICE, Thomas e DEMY, Timothy, Os Sinais dos Tempos, Actual Edições, Porto Alegre, RS, 1999, 1ª ed., 77p.

ICE, Thomas e DEMY, Timothy, O Ano 2000 e as Previsões da Volta de Cristo,  Actual Edições, Porto Alegre, RS, 1999, 1ª

ed., 77p.

LINDSAY, Hal, A Agonia do Grande Planeta Terra, Editora Mundo Cristão, São Paulo, 1976, 3ª Ed., 166p.

MALGO, Wim, O que Virá Amanhã, Ed. Chamada-da-Meia-Noite, Porto Alegre, 1984, 1ª Ed., 82p.

MALGO, Wim, Terá Chegado o Fim de Todas as Coisas?, Ed. CMN, Porto Alegre, 1986, 1ª Ed., 135p.

OLIVEIRA, Enoch de, Ano 2000 – Angústia ou Esperança?, CPB, São Paulo, 1988, 1ªEd., 278p.

ORR, William W., Um Quadro Simples do Futuro, IBR, São Paulo, 1964, 1ª Ed., 40p.

PENTECOST, J. Dwight, Things to Come, Zondervan P.H., Grand Rapids, 1964, 22ª Ed., 633p.

SHEDD, Russel P., A Escatologia do Novo Testamento, EVN, São Paulo, 1985, 2ª Ed., 70p.

WALVOORD, J. F. e J.E., Armagedom, Editora Vida, Miami, 1975, 1ª ed., 224p.

WOOD, Leon J., A Bíblia e os Eventos Futuros, Ed. Candeia, São Paulo, 1993, 1ª Ed. , 240p.

–   oOo   –

Pr. Jonas Xavier Pessoa (Nov/Dez/99)

Acampamento Elim

Conferências Proféticas – Escatologia

Natal  05-07/01/2000

Apresentação: 07.01.2000 (noite)

APÊNDICE

Esta lista é uma sugestão incompleta para formar uma noção das posições. O estudante pode acrescentar outros nomes a esta lista, uma vez que dá apenas alguns nomes. Dos mais importantes expoentes das três escolas. Isso pode ser feito ao longo do seu estudo. As referências por página são do livro de W.J. Grier e estão em ordem alfabética.

LISTA DOS PRINCIPAIS ESTUDIOSOS ESCRITORES DAS ESCOLAS ESCATOLÓGICAS

PRÉ-MILENISMO

Andrew Bonar (p.18)

Arthur Bloomfield

Dr. A. Ironside (p.46)

A.R. Fausset (p.117)

Dr. Charles Feinberg (p.19, 60, 111)

Dr. Charles I. Scofield (p.40, 112)

Dr. Dave Hunt

Dr. D. G. Barnhouse (p.99)

Prof. D.H. Kromminga (p.24,140)

Dr. Dwight Pentecost

Harold Heimer (Palavra da Vida – Brasil)

Harold Lindsell

Justino Mártir (p.25, 57, 58)

J. Sidlow-Baxter

Lewis Sperry Chafer (p.53)

Papias  (p.25) Um dos mais antigos pais da Igreja Primitiva)

Dr. Russel Norman Champlain  (???)

Dr. Seiss (p.106)

Thomas Ice e Timothy Demy (Escrevem juntos)

W.E. Blackstone (p.69)

Walter Scott (p.93, 98)

Wim Malgo + OMCMN

PÓS-MILENISMO

Dr. B.B. Warfield (p.16, 18)

Daniel Whitby (1638-1725) – fundador do pós-milenismo moderno.

Dr. George Eldon Ladd

John Bunyan (p.17)

Jonathan Edwards – (o segundo pós-milenista)

AMILENISMO

“A Testemunha” – revista mensal dos liberais

David Bentley Taylor (p.107)

Dr. David Brown (p.88)

Os irmãos Hodges (Archibald, Charles e Caspar)(p.84, 134)

Dr. James Hunter, M.A. (p.92)

João Calvino e os Reformadores (de modo geral os Presbiterianos – Princeton, Westminster, etc.)

Dr. Louis Berkhof (p.16, 112,134)

Martinho Lutero (p.107)

Pais da Igreja Antiga (4o século em diante – uma boa parte deles começando por Agostinho – p.137)

Patrick Fairbarn (p.38)

Roberto Dick Wilson (p.35)

Dr. Roberto Strong (p.95, 123, 131)

Dr. R.V. Bingham (p.10)

Dr. R.B. Kniper (p.136)

Dr. Stonehouse (p.101)

Dr. T.T. Shields (p.17)

Dr. Vos (p.10,22, 134, 136)

Bispo Waldegrave (p.88, 134)

Bispo Wordsworth (p.100, 115)

Dr. William Milligan (p.97)

Dr. William Hendriksen (p.126, 127)

W. J. Grier

Observações:  1. As lacunas foram deixadas para você completar por sua própria pesquisa.

2. Esta lista pode ser subdividida em categorias como nacionalidade. País de

domicílio, denominação e outras classificações conforme desejar.

3. Aceito suas sugestões e contribuições para a lista. Use o meu endereço postal.

Obrigado.   JXP.

Veja mais em Fim dos Tempos Apocalipse

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1 Comentário

  • Shalom desde Cião! Gostava de perguntar ao editor do texto em questão algo que me vem a mente sobre as questões de Milénio. Claramente a profecia mostra que um dos objectivos do Milénio é introduzir os cristãos “gentios” ao cerne judaica, onde aprenderão a seguir as leis e rito judaico. A pergunta é: porque passar mil anos a aprender algo que não servirá de nada após isso? Se puder esclarecer tua posição eu fico muito agradecido.

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